Esta sexta-feira, foram várias as notícias relacionadas com “Lucifer”, a onda de calor que está a atingir o sul e o leste da Europa, com muitas regiões a registar temperaturas superiores a 40 graus. No total, são dez os países colocados sob alerta vermelho pelo Meteoalarm, o serviço meteorológico europeu: Itália, Eslovénia, Hungria, Croácia, Polónia, Sérvia, Roménia, Montenegro, Bósnia e Albânia. Com múltiplos incêndios a deflagrar e internamentos na sequência de problemas relacionados com o calor, as autoridades recomendam que as pessoas se mantenham em casa e hidratadas.

Entretanto, um estudo divulgado, também esta sexta-feira, na publicação científica “The Lancet Planetary Health“, avança com projecções alarmantes, dizendo que, só em Portugal, as ondas de calor poderão provocar mais de 4000 mortes anuais perto do final do século, divulga a Lusa em comunicado. 

O estudo, realizado pelo European Commission Joint Research Centre, da Comissão Europeia, reúne um conjunto de investigadores de vários países, incluindo o português Filipe Batista e Silva, e analisa os efeitos fenómenos climáticos severos (ondas de calor e frio, incêndios florestais, secas, inundações e tempestades de vento) nos 28 países da União Europeia, na Suíça, na Noruega e na Islândia.

Para chegar a projecções alarmantes como as que dizem que o número de mortes resultantes de ondas de calor poderá aumentar potencialmente 50 vezes na Europa, passando de 2732 anuais no período 1981-2010 para 151.514 anuais em 2071-2100, os investigadores avaliaram 2.300 registos de desastres naturais de maior impacto num período de referência de 30 anos, para estimar a vulnerabilidade da população, e depois combinaram os dados com projecções de como as alterações climáticas podem progredir e de como as populações podem aumentar ou migrar entre 2071 e 2100.

Esta projecções estão directamente relacionadas com o aquecimento global (representando mais de 90% do aumento do risco para os seres humanos), e foram calculadas partindo do pressuposto de que não haverá redução das emissões de gases com efeito de estufa e melhorias nas medidas que ajudem a diminuir o impacto dos fenómenos meteorológicos extremos, como planeamento urbano, uso sustentado do solo ou isolamento térmico de edifícios, revela a Lusa.

Tendo em consideração estes dados, o referido estudo alerta para a necessidade de quantificar os efeitos futuros destas situações climáticas extremas nas pessoas para identificar onde e em que medida os seus meios de subsistência estarão em perigo e assim poder desenvolver estratégias de adaptação e redução de risco de desastres de forma atempada e eficaz.

Foto: Creative Commons

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