Ondas de calor marinhas ameaçam esponjas na Nova Zelândia



Uma das espécies mais abundantes de esponjas no fiorde de Doubful Sound, na região de Fiordland, na Nova Zelândia, está a ser ameaçada por ondas de calor submarinas. A população de Cymbastella lamellata terá já sofrido uma perda de 10% devido ao aumento da temperatura da água.

A revelação foi feita por um grupo de investigadores que indicam que o branqueamento massivo das esponjas, que, tal como os corais, vivem em relação simbiótica com pequenas algas que lhes dão cor, foi descoberto em maio de 2022, tendo afetado milhões de esponjas dessa espécie.

No verão passado, James Bell, Valerio Micaroni e Francesca Strano, da Victoria University of Wellington, deslocaram-se a Fiordland para investigar o que tinha acontecido às esponjas, onde se depararam com boas e más notícias.

Em seis dos locais estudados no fiorde Doubtful Sound, que desagua no Mar da Tasmânia, “quase todas as esponjas tinham recuperado a sua cor”. No entanto, dizem que “é provável que algumas esponjas tenham morrido”. Com base em registos fotográficos e em vídeos recolhidos nessa região neozelandesa, os cientistas estimam que entre 5% e 10% dessa população de esponjas tenham desaparecido.

Suspeita-se que em Breaksea Sound, um fiorde a sul de Doubtful Sound, a morte das esponjas seja ainda maior e que muitos desses animais não tenham conseguido recuperar totalmente do branqueamento.

Entre dezembro passado e janeiro deste ano, a temperatura da água em alguns locais analisados era cinco graus Celsius acima do que seria normal, pelo que os cientistas acreditam que o fenómeno de branqueamento poderá voltar a acontecer. O cientista diz que, embora o branqueamento não pareça ser uma causa direta da morte das esponjas, torna-as, ainda assim, mais vulneráveis à predação.

Esponja branqueada em Fiordland, Nova Zelândia, em maio de 2022.
Crédito: James Bell

“Quando visitámos Fiordland em maio do ano passado, vimos esponjas com muitas marcas de dentadas”, afirma James Bell, que aponta que na viajem que fizeram ao mesmo local este inverno não viram esponjas com essas marcas, o que sugere que tenham morrido ou sido completamente comidas, uma vez que “é improvável que sejam capazes de regenerar o tecido perdido em tão pouco tempo”.

James Bell considera que ao perderem as algas minúsculas com as quais mantêm uma relação de simbiose as esponjas ou tornam-se mais visíveis aos predadores ou tornam-se mais ‘saborosas’.

E a morte das esponjas tem consequências que vão além das populações desses animais. De acordo com os cientistas, as microalgas que vivem nas esponjas libertam carbono em excesso produzido por esses organismos fotossintéticos, que é usado por outros organismos, sobretudo por micróbios marinhos, que servem de base a diversas teias alimentares locais.

Sem essa simbiose entre esponjas e algas, devido ao branqueamento, esse carbono em excesso não é libertado, afetando, assim, várias outras espécies.

Os cientistas querem agora replicar em laboratório o branqueamento das esponjas C. lamellata para perceberem melhor o impacto do aumento da temperatura da água nos fiordes neozelandeses nesses animais e alargar a investigação a outras espécies de esponjas.



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