Os orangotangos estão entre os parentes evolutivos mais próximos dos humanos. Com um antepassado em comum, têm fisiologias e metabolismos semelhantes, pelo que estudar os primatas não-humanos poderá também ajudar a fazer descobertas relevantes sobre a nossa própria evolução e adaptação.
Uma equipa internacional de cientistas, encabeçada pela Universidade Estadual de Nova Jérsia (Estados Unidos da América) revela agora que os orangotangos-de-bornéu (Pongo pygmaeus wurmbii) desenvolveram uma série de comportamentos que lhes permitem manter uma boa saúde tanto durante períodos de escassez de alimento, bem como quando há fruta em abundância.
Os investigadores acreditam que compreender as estratégias alimentares dos orangotangos pode ajudar a promover melhor práticas nutricionais para os humanos.
Com base em dados recolhidos por observações diretas de orangotangos selvagens nas florestas húmidas da ilha do Bornéu, na Indonésia, feitas ao longo de 15 anos, descobriram que, quando há escassez de frutos, alimento que compõe grande parte da sua dieta, esses primatas reduzem a atividade física para pouparem calorias. Passam mais tempo a descansar, dormem mais cedo, deslocam-se menos e passam menos tempo com outros orangotangos.
Dessa forma, os animais evitam gastos não essenciais. No entanto, podem, se for realmente preciso, recorrer a reservas de gordura e de proteínas, como as que formam os seus músculos. Quando o alimento voltar a abundar, podem repor a gordura e proteínas consumidas.
Por outro lado, em tempos de escassez de frutos, os orangotangos tendem a comer mais folhas, casca de árvore e outros alimentos mais ricos em proteínas, mas não tanto em hidratos de carbono. Quando há frutos suficientes, também consomem esses alimentos altamente proteicos, para manterem uma ingestão regular de proteínas, mas a preferência é pelos hidratos de carbono e gorduras que se encontram nos frutos.
É por causa desse intercalar entre períodos de abundância e de escassez que os orangotangos, em regime selvagem, evitam a obesidade e mantêm um bom estado de saúde. Os investigadores dizem que os humanos podem aprender com essa espécie de “jejum intermitente”, lembrando que, nas sociedades ocidentais, os humanos têm um acesso praticamente permanente a alimentos altamente calóricos, o que pode, em alguns casos, gerar problemas de saúde, como o excesso de peso e a diabetes.
“Estas descobertas mostram como os orangotangos-de-bornéu selvagens se adaptam a mudanças no seu ambiente ao ajustarem a sua ingestão de nutrientes, o seu comportamento e o seu uso de energia”, explica, em comunicado, Erin Vogel, primatóloga e primeira autora do artigo publicado recentemente na revista ‘Science Advances’.
“O trabalho destaca a importância de compreender padrões alimentares naturais e o seu impacto na saúde, tanto em orangotangos como em humanos”, salienta, acrescentando que tal é fundamental para “ajudar-nos a aprender mais sobre como os humanos podem gerir as suas dietas e a sua saúde” e para afinar os esforços de conservação dos habitats desses primatas não-humanos.









