Investigadores da Universidade de Sharjah desenvolveram um método inovador para transformar resíduos de camarão — normalmente descartados em grandes quantidades pela indústria de frutos do mar — num produto de carbono valioso, capaz de capturar dióxido de carbono (CO₂).
Isto oferece uma solução sustentável tanto para a gestão de resíduos como para a mitigação das alterações climáticas.
Liderada por Haif Al-Jomard, a equipa introduziu uma nova tecnologia de conversão de resíduos em carbono que utiliza cascas, cabeças e tratos intestinais de camarão para produzir carvão ativado.
Este material demonstra excelentes capacidades de adsorção de CO₂, posicionando-o como um candidato promissor para aplicações industriais de captura de carbono, acrescenta Al-Jomard.
“O nosso estudo transforma resíduos de camarão num produto de carbono de alto desempenho. Isto não só resolve os desafios ambientais colocados pelos resíduos de marisco, como também contribui para os esforços globais de redução das emissões de gases com efeito de estufa e mitigação das alterações climáticas”, sublinha.
Publicada na revista Nanoscale, a investigação descreve um processo que envolve a pirólise de resíduos de camarão para produzir biocarvão, seguido de tratamento ácido, ativação química e moagem em moinho de bolas. O carvão ativado resultante apresenta um forte desempenho de captura de CO₂ e estabilidade a longo prazo em vários ciclos de adsorção-dessorção.
O processamento de cascas de camarão, lagosta e caranguejo gera até oito milhões de toneladas de resíduos anualmente, grande parte dos quais é descartada. O estudo utilizou resíduos de camarão branco — especificamente cascas e cabeças — provenientes de Souq Al Jubail, em Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, com o camarão originalmente capturado em Omã. Os resíduos foram meticulosamente limpos e secos ao ar antes do processamento.
O professor Chaouki Ghenai, coautor e especialista em Energia Sustentável e Renovável da Universidade de Sharjah, enfatizou os benefícios económicos e ambientais do método. “Esta abordagem oferece uma rota económica para a produção de carvão ativado, transformando um fluxo de resíduos problemático num produto de alto desempenho, eficiente e ecológico, com aplicações abrangentes”,
O carvão ativado derivado de resíduos de camarão tem utilizações potenciais além da captura de carbono, incluindo purificação do ar e da água, recuperação de solventes, extração de ouro e até aplicações médicas. No contexto da captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS), o material poderia ser adotado por indústrias como a de geração de energia, cimento, fabricação de aço e petroquímica.
Os investigadores destacam que o seu método está em conformidade com os princípios da economia circular, eficiência de recursos e valorização de resíduos, eliminando o desperdício e a poluição através da redução do consumo global de recursos e da conversão de subprodutos em recursos valiosos e altamente eficientes.
“As nossas descobertas validam uma estratégia escalável e sustentável para a valorização dos resíduos de camarão», escrevem. “Os tratamentos térmicos, químicos e mecânicos combinados dos resíduos de camarão melhoram as propriedades texturais e químicas do material de carvão ativado final, tornando-o uma solução viável para a mitigação das alterações climáticas”, adiantam.
Este trabalho pioneiro não só mostra o potencial dos resíduos de camarão como recurso, mas também estabelece uma base para futuras inovações em tecnologias sustentáveis de captura de carbono.









