“Promover o Dia Nacional da Sustentabilidade é ser a alavanca para um Portugal mais sustentável a todos os níveis”

Rita Rodrigues, Head of Public Affairs da Deco Proteste, explicou à Green Savers como surgiu a iniciativa e o impacto esperado com a criação deste Dia Nacional.

Apesar de ter sido já reconhecido pelo Governo, as celebrações do Dia Nacional da Sustentabilidade foram adiadas para o próximo ano, devido à proximidade com as eleições autárquicas que se realizam este domingo. A iniciativa que partiu da Deco Proteste chegou à Assembleia da República o ano passado e foi feita a recomendação da sua aprovação no inicio de 2021. Para percebermos um pouco melhor como surgiu a ideia da celebração deste dia, assim como o que se espera no futuro, falámos com Rita Rodrigues, da Deco Proteste, que nos explicou as preocupações que deram origem a esta efeméride.

 

Como surgiu a ideia de criar um Dia Nacional da Sustentabilidade? Consegue explicar-nos um pouco o processo…

A crise climática é tão grave e premente quanto a crise sanitária que atualmente nos condiciona, embora muitos não estejam cientes disso. Para controlar e reverter este cenário são necessárias alterações profundas aos comportamentos e hábitos de todos. Melhores escolhas e atitudes fazem com que, juntos, possamos contribuir para que a humanidade tenha futuro neste planeta. A DECO PROTESTE decidiu nesse sentido formalizar um pedido para que passasse a ser designado um dia para celebrar a Sustentabilidade.

Esse dia terá como objetivo sensibilizar de forma contínua toda a sociedade Portuguesa para uma problemática de dimensão mundial. Ajudará a evitar a degradação ambiental severa, assim como contribuirá para o combate às desigualdades sociais. Por isso promover o dia nacional da sustentabilidade é ser a alavanca para um Portugal mais sustentável a todos os níveis. O nosso objetivo de disponibilizar informação, conselhos e ferramentas e que podem ser facilmente aplicados em casa pelos consumidores, para os guiar, de forma simples e prática neste processo.

Assumimos por isso o compromisso de colocar ao dispor dos consumidores toda a nossa experiência e investigação em diversas áreas, como água, alimentação, ar, energia, mobilidade, gestão de resíduos, leis e finanças, saúde, entre outros temas relacionados com a sustentabilidade.

 

O dia 25 de setembro foi reconhecido pelo Governo, falta mais algum passo para passar a constar no calendário de Dias Nacionais?

Apesar de a recomendação do governo já ter acontecido, recebemos a comunicação do próprio gabinete do ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, que não será no final deste setembro que poderemos celebrá-lo, de acordo com a resposta, deve-se data coincidir com a véspera das eleições autárquicas, a 26 de setembro.

Entendemos e porque não queremos que a oficialização do dia fique esquecida no próximo ano. Vamos continuar a trabalhar em ações que coloquem a sustentabilidade como uma prioridade para todos. No nosso portal www.maissustentabilidade.pt estarão todas as nossas iniciativas.

As comemorações oficiais foram adiadas para 2022, mas existem algumas ações programadas para este ano?

Sim, continuamos, como sempre, com a preocupação de desenhar soluções que excedem uma visão, apenas, urbana ou que tenha como ponto de partida comunidades de elevada literacia ou já engajadas. Esta é a nossa grande métrica a médio prazo. Criar mais cidadania, mas, sobretudo, uma cidadania mais sustentável.

Mas para mudarmos os padrões de consumo, temos, também, de trabalhar com marcas e fabricantes. E este é o segundo pilar do nosso trabalho na área da Sustentabilidade – recriar, reformular, propor melhores produtos e mais sustentáveis. O nosso primeiro passo com ações de proximidade é precisamente a ação #exijoforadacaixa (www.exijoforadacaixa.pt) que lançámos este mês e que convida os consumidores a partilharem connosco exemplos de sobre embalamento.

Considera que a criação de um dia oficial para a sustentabilidade vai consciencializar mais os portugueses?

É nossa preocupação, e objetivo maior, precisamente para uma maior consciencialização conseguir o agenda setting da Sustentabilidade nas práticas e nas opções dos cidadãos. Da nossa experiência no terreno, emerge uma certeza cada vez mais problemática – a Sustentabilidade ainda é uma área distante das preocupações e, sobretudo, comportamentos, da maioria dos consumidores.

Daí que as nossas ações sejam vocacionadas para o aconselhamento e para a ação, atribuindo tangibilidade à alteração de comportamentos, nomeadamente tentando conferir-lhes um ganho imediato e a médio prazo para os consumidores.

 

 



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