Pseudoescorpiões observados pela primeira vez ‘à boleia’ de escorpiões



Os pseudoescorpiões são um grupo de pequenos aracnídeos semelhantes aos escorpiões, mas não têm o aguilhão característico e injetam o veneno nas presas através das suas pinças.

Por medirem apenas alguns milímetros de comprimento, os pseudoescorpiões, dos quais são hoje conhecidas mais de três mil espécies, tendem a agarrar-se a outros animais, como aves, morcegos e outros mamíferos, insetos e aranhas, para poderem viajar até outros locais.

Uma equipa de investigadores de Israel descobriu recentemente que os pseudoescorpiões também usam os seus parentes de maiores dimensões como boleia. Enquanto estudavam escorpiões no Vale do Jordão, no oriente israelita, usaram luzes ultravioletas para deterem escorpiões, cujos corpos duros brilham quando atingidos por essa radiação invisível ao olho humano.

Vale do Jordão, onde o Birulatus israelensis e o Nannowithius wahrmani foram encontrados.
Foto: Y. Zvik

Certa noite, um escorpião da espécie Birulatus israelensis, endémico de Israel, brilhava com uma fluorescência esverdeada sob o foco UV, quando os investigadores notaram pequenos pontos pretos no dorso do animal. Esse escorpião é o que se considera um animal mirmecófilo, ou seja, vive em relação simbiótica com formigas.

Uma observação mais minuciosa revelou que os pequenos pontos eram, na verdade, pseudoescorpiões da espécie Nannowithius wahrmani, também ela nativa de Israel.

O pseudoescorpião Nannowithius wahrmani.
Foto: S. Warburg

Esta é a primeira vez que os pseudoescorpiões são registados a apanhar boleia de escorpiões.

Em 2018, a equipa tinha recolhido um espécime de B. israelensis com dois pseudoescorpiões agarrados ao seu dorso. Desde então, não tinham conseguido encontrar outros casos semelhantes, pelo que persistia a dúvida sobre se se tinha tratado de uma vez sem exemplo.

Mas na expedição da primavera de 2023, recolheram sete escorpiões, cada um com pelo menos dois ‘passageiros’. Um transportava mesmo seis pseudoescorpiões.

Mesmo depois de terem sido recolhidos pelos cientistas, alguns dos pseudoescorpiões mantiveram-se agarrados aos hospedeiros durantes mais de três semanas.

Um pseudoescorpião ‘à boleia’ do seu parente de maiores dimensões.
Foto: Y. Zvik

Com este estudo, os investigadores revelam que as colónias de formigas são verdadeiros ecossistemas em miniatura, albergando não apenas as formigas, mas também os escorpiões e os pseudoescorpiões que vivem nos seus ninhos.

Embora observações científicas já tenham mostrado que as formigas e os escorpiões mirmecófilos não guerreiam entre si, apesar de estes aracnídeos se alimentarem, por vezes, das larvas dos anfitriões, pouco ainda se sabe sobre a relação com os pseudoescorpiões.

“Como é que eles evitam as formigas ou são reconhecidos como companheiros de ninho? Como é que os pseudoescorpiões dispersam na ausência de escorpiões e que hospedeiros alternativos têm? (…) Quais são os sinais para os pseudoescorpiões deixaram as costas do escorpião”, são algumas das questões suscitadas pelos resultados desta investigação, escrevem os cientistas no artigo publicado na revista ‘Arachnologische Mitteilungen: Arachnology Letters’.





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