Químicos sintéticos nos sistemas alimentares causam custos de saúde globais de quase dois biliões de euros por ano

Especialistas avisam que alguns dos químicos sintéticos usados amplamente nos sistemas alimentares atuais estão a fazer disparar os custos globais com cuidados de saúde relativos à exposição a essas substâncias.

Redação

Especialistas avisam que alguns dos químicos sintéticos usados amplamente nos sistemas alimentares atuais estão a fazer disparar os custos globais com cuidados de saúde relativos à exposição a essas substâncias.

Num relatório publicado esta quarta-feira pela Systemiq, os impactos de ftalatos, de bisfenóis, de pesticidas e de “químicos eternos” (ou PFAS, na sigla científica) estão a resultar em custos com cuidados de saúde que podem quase chega aos dois biliões de euros por ano a nível global. Várias dessas substâncias são conhecidas por afetar a reprodução e o sistema endócrino, por serem cancerígenas e por terem grandes impactos nos sistemas vivos.

Quanto aos danos causados aos ecossistemas, os especialistas dizem que estão ainda longe de estar contabilizados, mas, ainda assim, estimam que os impactos ecológicos, incluindo perdas agrícolas e exigências de qualidade da água em termos da presença de PFAS e pesticidas, rondarão os 550 mil milhões de euros por ano. E esse é um número arredondado muito por baixo.

Os autores dizem que esses valores representam entre 3% e 4% do PIB global “em custos evitáveis” e dizem que é possível cortar em 70% esses custos anuais através de soluções já disponíveis.

De recordar que os ftalatos e os bisfenóis são frequentemente usados, por exemplo, em embalagens de plástico para alimentos e em luvas descartáveis usadas na preparação de comidas. Os pesticidas ainda são um elemento central na agricultura industrial e os PFAS, ou “químicos eternos”, são usados para tornar embalagens alimentares repelentes à gordura e á água, em alguns pesticidas e em utensílios de cozinha, como panelas e frigideiras antiaderentes.

A investigação avisa que a exposição aos químicos sintéticos desses quatro grupos que estão presentes nos sistemas alimentares pode também ter impactos significativos ao nível da fertilidade humana em ambos os sexos. De acordo com o relatório, esses químicos tóxicos, se os níveis atuais de exposição se mantiverem, podem resultar em até menos 700 milhões de nascimento em todo o mundo entre 2025 e 2100.

Reduzir “drasticamente” o uso desses químicos sintéticos “não só reduzirá a exposição humana”, como também é indispensável para “restaurar ecossistemas que fornecem serviços insubstituíveis – da polinização à purificação da água – que são essenciais para a resiliência dos sistemas alimentares a longo-prazo”, escrevem as mais de duas dezenas de especialistas que assinam esta investigação.

Para combater essa ameaça silenciosa que são os químicos sintéticos nos nossos sistemas alimentares, a equipa diz que é urgente deixar de usar químicos tóxicos que já se sabe que são prejudiciais, com proibições com prazos bem definidos, reforço da monitorização e responsabilizar os produtores para que sejam incentivados a identificar e a abandonar o uso de substâncias tóxicas.

Além disso, é preciso adotar regulamentos com base no princípio da precaução para evitar que esses químicos cheguem aos ecossistemas e às pessoas, criar incentivos para premiar o menor uso de produtos tóxicos e revolucionar a forma como se produz alimentos para eliminar o uso desnecessário de químicos.

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