Raro tubarão cor-de-laranja avistado nas águas da Costa Rica

Pela primeira vez, um grupo de cientistas documentou um tubarão com xantismo, uma condição genética que faz com que a pele do animal fique desprovida de pigmentos escuros e, ao invés, apresente uma coloração alaranjada.

Redação

Pela primeira vez, um grupo de cientistas documentou um tubarão com xantismo, uma condição genética que faz com que a pele do animal fique desprovida de pigmentos escuros e, ao invés, apresente uma coloração alaranjada.

Trata-se de um tubarão da espécie Ginglymostoma cirratum, que havia sido capturado durante pesca desportiva ao largo do Parque Nacional Tortuguero, na Costa Rica, a uma profundidade de 37 metros. Num artigo publicado na revista ‘Marine Biodiversity’, os cientistas dizem que este indivíduo adulto, com cerca de dois metros de comprimento, é “o primeiro caso cientificamente documentado de xantismo total na espécie e o primeiro registado no Mar das Caraíbas”.

Além disso, dizem também que “esta descoberta única sugere que o xantismo não impacta a sobrevivência nesta espécie”.

A equipa de investigadores fora primeira alertada para o caso inédito através de fotografias que recebeu por parte dos pescadores que haviam capturado o tubarão. Marioxis Macías-Cuyare, da Universidade Federal do Rio Grande (Brasil) e primeira autora do artigo, recorda, citada em comunicado, que “foi bem impactante ver as fotos, pois estávamos diante de algo inédito, um caso de xantismo nesta espécie, então a gente pesquisou e escreveu o mais rápido possível para publicar”.

“E a notícia tem impacto, pois é a primeira vez que se tem relato de algo assim”, acrescenta.

Além da pele alaranjada, o tubarão tinha também os olhos brancos, pelo que os cientistas acreditam tratar-se de uma condição chamada albino-xantocromia.

“Já ser tinha reportado esta anomalia em rãs e em muitos outros vertebrados terrestres”, diz Macías-Cuyare, “mas nunca tinha sido reportado para tubarões”, ainda que haja relatos, ainda que muito raros, da condição em peixes teleósteos, como a garoupa.

A equipa não sabe, para já, se este tubarão cor-de-laranja se trata de um caso isolada ou se poderá pertencer a uma população de tubarões Ginglymostoma cirratum que partilhem a mesma condição genética, passa de geração em geração.

Depois de documentado, o animal foi devolvido ao mar, e os cientistas dizem que é preciso investigar mais para perceber que fatores, genéticos ou ambientais, influenciam essas anomalia de pigmentação nos tubarões.

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