Sabia que existem peixes a viver no deserto?



Os desertos são regiões conhecidas pelo clima extremamente seco, onde raramente chove. São, por isso, o último ambiente no qual imaginaríamos que vivessem peixes – mas a realidade, é que vivem. A espécie Melanotaenia splendida tatei, conhecida por peixe arco íris do deserto, habita nos desertos da Austrália central.

Segundo um estudo que reuniu investigadores do Laboratório de Ecologia Molecular da Universidade de Flinders e da Universidade de Camberra, ambas na Austrália, e da Universidade Laval, no Canadá, estes peixes podem ser encontrados em várias zonas do deserto, e a principal justificação está no seu genoma. A diversidade genética ajuda à evolução e adaptação ao clima árido, o que garante a sua contínua sobrevivência. As populações que vivem nas áreas mais secas são mais isoladas e menores, no entanto, são as que revelam também uma maior capacidade de adaptação a ambientes extremos e secos.

“Isto muda por completo o pensamento tradicional de que as pequenas populações são um beco sem saída para a evolução. A vida encontra um caminho, mesmo nos ambientes mais extremos e imprevisíveis da Terra”, afirma o autor Luciano Beheregaray, da Universidade de Flinders.

Quando chove, a criação de pequenos riachos – ainda que temporários – permite aos peixes dispersar e reproduzir-se.

“Os resultados do nosso estudo sugerem que as adaptações e a persistência da diversidade genética podem ocorrer mesmo em pequenas populações, desde que haja conectividade natural durante as cheias”, acrescenta.

A equipa acredita que os seus genes poderão garantir também a adaptação a futuras mudanças ambientais provocadas pelas alterações climáticas.



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