Tumores de causa desconhecida estão a matar rãs na Austrália há mais de 20 anos

Pelo menos desde 1998 que duas espécies de rãs arborícolas estão a ser afetadas por tumores em Queensland, na Austrália.

Filipe Pimentel Rações

Pelo menos desde 1998 que duas espécies de rãs arborícolas estão a ser afetadas por tumores em Queensland, na Austrália.

Desde então que já deram entrada cerca de 60 animais com tumores no hospital de anfíbios da organização local Frog Safe, no norte desse estado australiano. Contudo, as causas continuam a ser um mistério. Todas as rãs com tumores acabaram por morrer ou por ser eutanasiadas.

Agora, os cientistas querem saber o que está a causar as patologias e perceber as suas implicações, para os anfíbios e também para os humanos.

Viviana Gonzalez-Astudillo, da Faculdade de Ciências Veterinárias da Universidade de Queensland, faz parte da equipa de investigadores que estão a tentar desvendar o que está a acontecer às rãs arborícolas das espécies Litoria caerulea e Litoria infrafrenata, que parecem ser as mais afetadas.

Pelo menos desde 1998 que há registos de rãs com tumores em Queensland, mas a causa ainda é desconhecida. Foto: Frog Safe Inc.

“Potencialmente, um químico pode estar a induzir estes tumores, mas há também vírus que são bem conhecidos por serem oncogénicos, o que significa que produzem cancro”, explica, em comunicado.

A especialista avança que os tumores documentados têm uma variedade de tamanhos, mas tendem a crescer perto de zonas vitais, como a boca e os olhos, “eventualmente resultando na morte da rã”.

Por não se saber a causa, nem se se poderá tratar de algo que também afete os humanos, os cientistas dizem que é crucial descobrir a causa dos tumores.

Embora acreditem que essa condição esteja a tornar-se cada vez mais prevalecente, precisam de mais dados para confirmar essa suspeita, pelo que dizem que é importante juntar todos os registos de casos de rãs com tumores avistadas e tratadas por outras organizações e hospitais veterinários.

“Precisamos de dados para compreender o problema e encontrar uma forma de prevenir que continue a acontecer”, afirma Gonzalez-Astudillo, destacando o papel central do público na comunicação de encontros com rãs que tenham altos nos seus corpos.

O estudo vai prolongar-se até novembro de 2026, apoiado pela agência científica australiana CSIRO.

Partilhe este artigo


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.