O turismo de observação de aves é considerado um dos setores do turismo ecológico que mais tem crescido, especialmente na última década.
Admiradores de aves viajam para países remotos para captarem vislumbres, se tiverem sorte, de animais de cores vivazes, de cantos melodiosos e de hábitos de vida peculiares.
Um grupo de cientistas tentou perceber o que motiva o turismo de observação de aves e o que torna uns países mais atrativos do que outros. Liderada pela Universidade da Califórnia em Santa Cruz (Estados Unidos da América), a equipa pensava que um fator de atração óbvio seria a presença de uma grande diversidade de aves interessantes. Dessa forma, países e regiões com mais espécies diferentes de aves seriam os que atrairiam mais turistas.
Além disso, os investigadores suspeitavam que a disponibilidade de infraestruturas e de medidas de segurança para a prática da observação de aves seria um fator de peso na altura de escolher o destino.
Para tentarem encontrar respostas, viraram-se para as ciências computacionais e para a ecologia quantitativa para explorarem os dados publicados na plataforma eBird, uma aplicação que os observadores de aves amadores usam para registarem as suas observações.
Ao analisarem dados de 2010 a 2022, os cientistas perceberam que a atividade na eBird aumentou “drasticamente”, especialmente com registos em países com a maior abundância de aves cujas áreas de distribuição são mais limitadas. Ou seja, em países com os maiores números de aves raras, que não são encontradas em qualquer outro lado.
A Colômbia, considerada um dos países mais biodiversos do mundo, tendo inclusivamente sido sede da 16.ª cimeira mundial das Nações Unidas sobre biodiversidade em 2024, foi o país com o maior aumento de registos na eBird. Em segundo lugar surge a África do Sul.
Em contraste, países dos trópicos como a República Democrática do Congo e a Venezuela tiveram crescimentos quase impercetíveis durante esse mesmo período. Dizem os cientistas que, embora o número de turistas de observação de aves tenha aumentado um pouco por todos os países tropicais, a taxa de atração desses dois era nula ou mesmo negativa.
E as incongruências vão mais além. Alguns países, como o Canadá e outros na Europa ocidental, registaram níveis mais altos de visitas de observadores de aves, embora, comparativamente a outras regiões, tenham menor diversidade de espécies.
Por outro lado, países como a Venezuela, a Bolívia, Madagáscar, a República Democrática do Congo e a Papua-Nova Guiné, com níveis mais elevados de diversidade de aves e com espécies mais raras, tiveram menos visitas de admiradores de aves.
Entre os países tanto com níveis elevados de diversidade de aves e de visitas estão o Brasil, o Equador, a Costa Rica, o México, a Colômbia, o Peru e a Austrália.
Então, o que explica estas incoerências? Os investigadores sugerem que a diversidade de espécies de aves não é o único fator que pesa nas decisões dos turistas de observação de aves. A existência de infraestruturas adequadas à observação de aves, a segurança e a estabilidade, o custo das viagens e do alojamento e as exigências burocráticas de entrada (como os vistos) também importam.
Criar novos destinos de observação de aves
Com base nos resultados obtidos, que foram publicados recentemente na revista ‘People and Nature‘, a equipa de cientistas apresenta algumas sugestões que podem ajudar os países a atraírem mais observadores de aves.
Uma das mais relevantes é realmente o investimento em infraestruturas turísticas. Os visitantes não parecem dar tanta importância à segurança e estabilidade no país de destino como um todo, mas sim nos locais turísticos que querem visitar.
Por isso, os países podem querer dar prioridade ao aumento da segurança e ao desenvolvimento de infraestruturas turísticas nesses locais em particular, para estimular o crescimento do turismo de observação de aves e também do ecoturismo de forma geral.
Além disso, o investimento em infraestruturas específicas para a observação de aves, como torres no topo das árvores, percursos e esconderijos, na formação de guias locais, na conservação dos habitats das aves e em alívios fiscais para negócios turísticos sustentáveis e locais pode também ajudar a criar novos destinos para os admiradores de aves.
Também a inclusão dos interesses e vozes das comunidades locais no desenvolvimento de projetos de turismo de observação de aves e a priorização da sustentabilidade, mesmo com ganhos a longo-prazo, ao invés de atividades ambientalmente prejudicais com ganhos imediatos, são elementos relevantes, dizem os investigadores.









