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Matt Damon deixa de usar casas de banho em protesto contra falta de saneamento básico


Em todo o mundo, 2,5 mil milhões de pessoas não têm acesso a saneamento básico ou a uma simples sanita. Mais do dobro da população norte-americana – mais exactamente 780 mil pessoas – não têm sequer acesso a água limpa.

Para educar a população norte-americana para estes e outros dados chocantes, o actor Matt Damon encenou uma conferência de imprensa para anunciar que, até que todos tenham acesso a água limpa e a saneamento básico, ele não irá à casa de banho.

É uma acção simbólica, mas a verdade é que está a ter repercussão em alguma imprensa norte-americana – e, esperemos, na população global. Segundo Damon – e estes são factos reais –a  invenção da sanita foi aquela que salvou mais vidas, em todo o mundo, desde sempre. Por outro lado, bastam apenas €18,5 (R$ 49,1) para que um cidadão do mundo tenha acesso a água limpa para sempre.

A conferência de imprensa falsa está a promover o Water for the World Act, que poderá financiar projectos de saneamento básico em África, Ásia e Caraíbas. Veja o vídeo e consulte a campanha da Water.org, associação co-fundada por Damon.

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América Latina: automóveis nas estradas aumentam a um ritmo de 4,5% por ano


Todos os anos, o número de automóveis nas estradas da América Latina aumenta 4,5%, de acordo com o Banco Mundial, que cita o estudo Inclusive Green Growth in Latin American & Caribbean. Esta é a maior taxa de motorização do mundo.

Numa altura que se debate o Rio+20, explica o Banco Mundial, há que ter em conta que a América Latina não é tão verde como se pensa. Esta região tem a maior população urbana do mundo – 81% -, sendo que 60% do PIB do continente provém das maiores 200 cidades. Ou seja, “qualquer mudança nesta subtil balança poderá afectar as economias da região”, continua o Banco Mundial.

Os últimos anos foram acompanhados de grandes mudanças no continente, que tem planos para estruturas hidroeléctricas e de gás natural que irão providenciar, respectivamente, 50% e 30% de toda a capacidade energética para os próximos 20 anos.

Por outro lado, a região deverá reduzir o consumo de electricidade, na próxima década, em 10%, devido às tecnologias de eficiência energética. Isto representa uma redução de €29 mil milhões (R$72,5 mil milhões) em energia.

Em muitos casos, nota o Banco Mundial, a América Latina serviu como laboratório regional para algumas das mais inovadoras investigações sobre sustentabilidade: os agricultores mexicanos são pagos para proteger as florestas e muitos países da América Central tomaram políticas de seguro contra o risco de catástrofes naturais, por exemplo.

O próximo grande objectivo é atingir o saneamento básico universal. Hoje, mais de 85% da população urbana está ligada a um sistema de água, enquanto a recolha de resíduos sólidos chega aos 93%.

Paralelamente, alguns países impuseram percentagens – até 10% – de protecção de territórios, o dobro da área de há duas décadas. Estas são boas notícias.

São estes os desafios da América Latina nas vésperas do Rio+20. Aproveitará, este continente, a boleia da Conferência do Desenvolvimento Sustentável para fazer a transição para a Economia Verde?

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Uma viagem à Índia com a Water.org (VÍDEO)


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Índia: 53% das pessoas possui telemóvel, mas apenas 50% tem acesso a saneamento básico


Imagine que, da próxima vez que precisar de utilizar a casa de banho, não o pode fazer rapidamente ou com privacidade? É esse o cenário quotidiano de pelo menos 600 milhões de indianos, de acordo com os últimos números revelados pelo Censos na Índia, que dão conta de uma disparidade incrível entre o acesso da população a necessidades básicas, como casas de banho e águas potável, e o acesso – fácil – a telecomunicações.

Segundo os censos, há uma maior probabilidade de um indiano ser proprietário de um telemóvel do que ter uma casa de banho em casa. Isto coloca um gigantesco problema à saúde pública. Assim, metade dos 1,2 mil milhões de indianos ainda defeca ao ar livre, uma vez que não tem casa de banho ou água corrente em casa. Por outro lado, 53% dos indianos tem um telemóvel e 47% uma televisão.

“A defeção ao ar livre continua a ser um grande problema para o País, metade da população continua a fazê-lo. As razões culturais e tradicionais e a falta de educação são as principais razões por estas práticas de falta de higiene. Temos de continuar a fazer muito neste campo”, explicou o C.Chandramouli, comissário dos censos.

Esta situação é ainda menos compreensível quando a Índia, um BRIC, tem uma classe média em expansão, com acesso a todos os bens de consumo modernos. Ainda assim, metade da sua população não tem acesso a saneamento básico e água potável.

Saiba quais os riscos que a população corre por falta de saneamento básico e água potável no site Water.org. Segundo esta organização, os dados relativos ao saneamento básico, em Índia, são mais graves que os revelados pelos censos. Assim, 839 milhões dos 1,2 mil milhões de indianos não terão acesso a saneamento básico. Um número para reflectir e agir.

Fotos: Projectos da Water.org na Índia.

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Brasil adoece sem saneamento básico


Segundo o Atlas do Saneamento 2011, divulgado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil apresenta uma enorme disparidade no que toca a saneamento básico. No norte, por exemplo, apenas 3,5% das cidades contam com uma rede de esgotos, sendo que mais de duas mil cidades brasileiras têm resíduos a céu aberto e 33 municípios não contam ainda com abastecimento de água.

Apesar de uma melhoria das condições entre 2000 e 2008, menos de metade das casas brasileiras têm acesso, actualmente, à rede de esgotos municipais. E o problema não se verifica apenas nas cidades perdidas do interior e menos urbanizadas, avança o estudo, analisado pela EcoAgência. Na região sudeste do país, a melhor desenvolvida em termos de saneamento segundo a pesquisa, ainda há esgotos a céu aberto e o mesmo se passa no Rio de Janeiro, a “cidade maravilhosa”.

A falta de políticas efectivas de saneamento básico tem feito persistir doenças como diarreia e febre amarela, até porque a população continua a usar água contaminada nas mais diversas tarefas. Há ainda um grande risco de contaminação das águas e do solo, além de deslizamentos de terras e inundações. Em 2008, em cada 100 mil habitantes, 300 eram internados por doenças relacionadas com problemas de saneamento. Nos Estados do Pará e do Piauí, os piores neste aspecto, em 100 mil habitantes havia 1200 internamentos à conta da falta de saúde pública. A dengue, por exemplo, é uma das doenças mais conhecidas a nível mundial que deriva do problema das águas paradas, e é um “bom” reflexo da problemática que pode, inclusivamente, levar à morte.

Apenas recentemente o Brasil elaborou duas legislações para abordar o problema dos resíduos sólidos e do saneamento como um todo. A Lei nº 11.445/2007 , regulamentada pelo Decreto nº 7.217/2010 estabelece directrizes nacionais para o saneamento básico no país. Já a Política Nacional de Resíduos Sólidos foi instituída pela lei 12.305/2010 . Agora, é preciso tirar as palavras do papel e passar à prática.

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