O Futuro é de Madeira



Por Alexandre Castro Martins, Diretor de Vendas, Soprem Wood

Hoje, o setor da construção é responsável por quase 40% das emissões globais de CO2. As cidades tornaram-se os maiores emissores de carbono do planeta, e o custo ambiental de cada edifício ergue-se como uma fatura que as gerações futuras terão de pagar.

Mas há uma alternativa. Uma solução tão antiga quanto o próprio ser humano — e, paradoxalmente, mais inovadora do que nunca: a madeira.

A madeira não é apenas um material. É uma tecnologia natural, desenvolvida pela própria Terra ao longo de milhões de anos.

Enquanto o aço e o betão libertam CO2, a madeira armazena-o. Cada metro cúbico de madeira absorve, em média, uma tonelada de dióxido de carbono, removendo-o da atmosfera e mantendo-o “preso” durante toda a vida útil do edifício.

Mesmo depois de cortada e transformada, a madeira continua a reter o carbono que as árvores absorveram ao crescer — porque este permanece fixado nas suas fibras celulares sob a forma de carbono sólido. Assim, cada peça de madeira é, na verdade, um depósito natural de CO2.

Mais do que isso, é um recurso renovável. As florestas sustentáveis permitem que este ciclo se renove indefinidamente — plantar, crescer, colher, replantar — num modelo de economia circular perfeito, em que cada nova árvore volta a capturar o carbono libertado pelas gerações anteriores.

Por isso, construir com madeira não é regressar ao passado; é acelerar o futuro.

A nova geração de arquitetos e engenheiros já percebeu isso. O Mjøstårnet, na Noruega, com 18 andares, e o Ascent MKE, nos Estados Unidos, com 25, são marcos de uma era em que o impossível deixou de o ser.

E a Europa está a seguir o mesmo caminho: Paris 2024 ergueu a sua vila olímpica em madeira, tornando-se um símbolo global de construção sustentável e design consciente.

Mas a madeira não é apenas ecológica. É resistente, durável e segura.

Ao contrário do que muitos ainda acreditam, a madeira comporta-se de forma previsível ao fogo, mantendo a integridade estrutural durante mais tempo do que o aço.

É leve, flexível, adaptável — e possui uma estética que nenhuma imitação consegue replicar.

O futuro da construção será escrito em madeira — não por romantismo, mas por necessidade.

Porque um mundo em crise climática não pode continuar a construir com materiais que destroem o planeta, especialmente quando temos ao nosso dispor um material renovável, verdadeiramente ecológico, robusto e elegante.

O futuro não é de aço nem de betão.

O futuro é de madeira.






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