O Uganda voltou a ter rinocerontes em liberdade pela primeira vez desde 1983, quando a caça furtiva conduziu a espécie à extinção no país, ao serem reintroduzidos quatro rinocerontes-brancos numa reserva natural, confirmaram ontem autoridades ambientais.
“Conseguimo-lo. Esta quarta-feira transferimos quatro rinocerontes[-brancos] para a Reserva de Vida Selvagem de Ajai”, no noroeste do país, declarou à agência espanhola EFE o porta-voz da Autoridade da Vida Selvagem do Uganda, Bashir Hangi.
Os rinocerontes-brancos foram transportados por via terrestre, em veículos, a partir do Santuário de Rinocerontes de Ziwa, no Uganda, onde tinham sido criados em semicativeiro para repovoar os espaços naturais do país.
O último rinoceronte em liberdade do Uganda, um exemplar negro, morreu em 1983 às mãos de caçadores furtivos.
Esta é a primeira fase de um programa através do qual as autoridades esperam transferir, nos próximos meses, um total de 20 rinocerontes-brancos para a Reserva de Ajai, uma área natural remota e pouco visitada, mas com abastecimento de água suficiente e pastagens adequadas para servir de habitat a estes herbívoros.
Os rinocerontes reintroduzidos em Ajai pertencem à subespécie de rinoceronte-branco-do-sul, originária de países da África Austral como a África do Sul, Namíbia, Botsuana, Zimbabué e Moçambique.
“O regresso dos rinocerontes a Ajai é um momento de orgulho e emoção para o Uganda. É o resultado de anos de trabalho dedicados à conservação e de um programa de reprodução bem-sucedido no Santuário de Rinocerontes de Ziwa”, afirmou o diretor executivo da Autoridade da Vida Selvagem do Uganda, James Musinguzi, num comunicado.
O Uganda foi em tempos o lar de uma importante população de rinocerontes-negros, atualmente em perigo crítico de extinção, e de uma pequena população de rinocerontes-brancos-do-norte, dos quais restam apenas duas fêmeas a viver em semicativeiro numa reserva no centro do Quénia.
No entanto, a instabilidade política transformou o país num terreno fértil para a caça furtiva, impulsionada pela elevada procura dos seus chifres em alguns países asiáticos, onde lhes eram atribuídas, de forma errónea, propriedades medicinais.
No final de 2024, África albergava cerca de 22.540 rinocerontes, 6.788 negros e 15.752 brancos-do-sul, segundo estimativas de especialistas da União Internacional para a Conservação da Natureza.









