Célula visual híbrida descoberta em peixes da zona crepuscular pode inspirar avanços tecnológicos

O estudo, liderado por cientistas da University of Queensland, analisou larvas de peixes capturadas entre os 20 e os 200 metros de profundidade no Mar Vermelho. Entre as espécies estudadas estão duas – Maurolicus muelleri e Maurolicus mucronatus — conhecidas por habitarem zonas crepusculares do oceano.

Redação

Uma equipa internacional de investigadores identificou um novo tipo de célula visual em larvas de peixes da zona crepuscular, uma descoberta que desafia mais de um século de conhecimento sobre o funcionamento do sistema visual dos vertebrados e que poderá ter aplicações na tecnologia e na medicina.

O estudo, liderado por cientistas da University of Queensland, analisou larvas de peixes capturadas entre os 20 e os 200 metros de profundidade no Mar Vermelho. Entre as espécies estudadas estão duas – Maurolicus muelleri e Maurolicus mucronatus — conhecidas por habitarem zonas crepusculares do oceano.

Durante mais de 150 anos, os manuais de biologia ensinaram que a visão dos vertebrados assenta em dois tipos principais de fotorrecetores: os cones, que funcionam melhor em ambientes luminosos, e os bastonetes, adaptados a condições de fraca luminosidade. No entanto, a nova investigação, publicada na revista científica Science Advances, descreve uma célula híbrida que combina características moleculares dos cones com a forma típica dos bastonetes.

Segundo os autores, esta célula otimiza a visão em condições intermédias — como as que predominam ao amanhecer, ao entardecer ou nas camadas superiores do oceano — permitindo uma adaptação particularmente eficiente à chamada “zona crepuscular”.

As larvas analisadas medem apenas cerca de meio centímetro e têm olhos com menos de um milímetro, o que tornou o trabalho laboratorial especialmente exigente. Os investigadores quiseram compreender como se desenvolve o sistema visual destes peixes numa fase da vida em que permanecem mais perto da superfície, antes de descerem, já adultos, para profundidades que podem atingir um quilómetro.

Para além da relevância científica, a descoberta poderá abrir caminho a aplicações práticas. A criação de sensores inspirados nesta estrutura celular poderá permitir o desenvolvimento de câmaras ou óculos de visão noturna mais eficientes, capazes de captar imagens em baixa luminosidade sem perda de nitidez.

Na área médica, compreender como estes peixes desenvolvem células visuais híbridas em ambientes de elevada pressão poderá ajudar a identificar novos mecanismos biológicos com potencial interesse no tratamento de doenças oculares humanas, como o glaucoma.

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