Os embaixadores do Pacto Climático Europeu recomendaram ao Governo o investimento em comunidades de energia e na recuperação de zonas húmidas, alertando que é preciso tornar o país mais resistente às alterações climáticas.
As recomendações, divulgadas esta terça-feira num comunicado, surgem a propósito do plano Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), criado pelo Governo para fazer face aos danos provocados pelas tempestades de janeiro e fevereiro passados.
O PTRR é, para os embaixadores, “uma oportunidade para tornar o território português mais resistente às alterações climáticas”, pelo que sugerem que o plano contemple verbas para a criação de soluções de engenharia baseadas na natureza, ou a criação de organismos intermunicipais que envolvam diretamente as comunidades na prevenção de catástrofes naturais nos seus territórios.
“Cidades como Paris têm promovido programas climáticos de financiamento de comunidades de energia renovável ou renaturalização de espaços urbanos, com investimentos na ordem dos milhares de milhões de euros”, afirma Pedro Macedo, investigador e ativista da ação climática e embaixador do Pacto Climático Europeu.
E, citado no comunicado, acrescenta: “A experiência acumulada mostra que responder às catástrofes apenas com medidas reativas, direcionadas para reparar os danos imediatos, não reduz o risco climático nem previne novos desastres”.
Os embaixadores notam que não se devem reconstruir infraestruturas e habitações em zonas de risco. Também citado no comunicado, António Gonçalves Pereira, coordenador da Ecomood/Climate Alliance Portugal (de promoção de cidades sustentáveis) e embaixador do Pacto Climático Europeu, sublinha o desperdício de meios que é reconstruir habitações, estradas e equipamentos nos mesmos territórios onde ocorreram danos, e onde podem voltar a ocorrer.
Segundo o documento, o Pacto Climático Europeu vai propor também ao Governo a criação de estruturas intermunicipais de ação climática que envolvam autarquias, cientistas e representantes da sociedade civil na gestão do território, para coordenar respostas em territórios que partilham bacias hidrográficas ou zonas costeiras vulneráveis.
E outras medidas sugeridas são o reforço de margens ribeirinhas e a regeneração de solos, incluindo iniciativas de retenção natural da água em solos agrícolas e áreas urbanas, como hortas urbanas ou telhados verdes.
Os embaixadores alertam ainda que a produção descentralizada de energia renovável e a participação cidadã são a melhor defesa contra possíveis “apagões”.
O Pacto Climático Europeu é uma iniciativa da Comissão Europeia no âmbito do Pacto Ecológico Europeu (“Green Deal”) e junta pessoas determinadas em agir em prol do clima e da construção de uma Europa mais limpa e resiliente, apoiando o objetivo de a União Europeia se tornar neutra em termos climáticos até 2050.
Na União Europeia há mais de 1.200 embaixadores, tendo Portugal cerca de sete dezenas.









