Os rios europeus enfrentam um declínio acelerado. Mais de um milhão de barreiras fragmentam os cursos de água, cerca de 90% das planícies de inundação estão degradadas e menos de metade dos rios cumpre os objetivos da Diretiva-Quadro da Água. Apesar das metas definidas pela nova Regulação de Restauro da Natureza, a implementação no terreno continua a ser um desafio.
Um novo estudo internacional, publicado na revista Nature Communications Earth & Environment, apresenta um roteiro prático que liga diretamente o conhecimento científico à tomada de decisão política, oferecendo orientações concretas para acelerar ações de restauro ecológico em toda a Europa. A investigadora Teresa Ferreira, ecóloga fluvial e Presidente do Conselho de Coordenadores do Laboratório Associado TERRA, integra a equipa de autores deste trabalho.
“As estratégias de restauro não podem ser universais, vagas e destemporalizadas — têm de ser rapidamente implementadas e adaptadas aos contextos ecológicos, políticos e institucionais de cada região”, afirma Teresa Ferreira.
Com contributos de especialistas de 45 países, o estudo identifica 27 prioridades fundamentais para recuperar os ecossistemas fluviais, incluindo o reforço da biodiversidade, a melhoria do funcionamento dos ecossistemas e a definição de critérios claros para orientar intervenções.
O estudo sublinha que não existe uma solução única para restaurar ecossistemas degradados na Europa. As medidas devem ser adaptadas às condições ecológicas, políticas e sociais de cada região, um ponto que a equipa considera decisivo para o sucesso das intervenções. Os autores destacam ainda a necessidade de integrar ciências naturais e sociais e de promover processos colaborativos entre investigadores, decisores políticos e comunidades locais.
O estudo propõe ferramentas práticas que podem ajudar a transformar políticas europeias em resultados concretos no terreno, num momento particularmente decisivo para a Europa, que enfrenta metas ambiciosas de restauro até 2030.









