Raízes podem ser chave para garantir produção alimentar com fertilizantes reciclados

A investigação, publicada na revista Sustainable Agriculture, analisou a forma como diferentes variedades de sorgo — modernas e tradicionais — utilizam fósforo proveniente de fontes convencionais e recicladas.

Redação

Dar maior atenção às raízes no melhoramento de plantas pode ser determinante para garantir a produção de cereais no futuro, à medida que nutrientes reciclados substituem os fertilizantes convencionais, conclui um estudo da University of Queensland.

A investigação, publicada na revista Sustainable Agriculture, analisou a forma como diferentes variedades de sorgo — modernas e tradicionais — utilizam fósforo proveniente de fontes convencionais e recicladas.

Segundo Michael Walsh, um dos investigadores, as variedades tradicionais demonstraram maior capacidade de absorver fósforo em condições de menor disponibilidade, superando as plantas resultantes de programas modernos de melhoramento. “Quando o fósforo era menos acessível, os sorgos tradicionais cresceram mais e aproveitaram melhor este nutriente essencial”, explicou.

A principal diferença está nas chamadas exsudações radiculares — compostos químicos libertados pelas raízes que interagem com o solo. A equipa analisou mais de 20 mil destes compostos e identificou alguns que funcionam como “ferramentas” biológicas capazes de libertar fósforo, tornando-o disponível para as plantas.

Os investigadores alertam que décadas de agricultura baseada em fertilizantes facilmente acessíveis levaram ao desenvolvimento de culturas altamente produtivas, mas menos eficientes na captação de nutrientes em condições mais exigentes. “As variedades modernas tornaram-se, em certo sentido, ‘preguiçosas’ debaixo da terra”, refere o estudo.

O fósforo é um elemento essencial para a agricultura moderna e provém maioritariamente de depósitos minerais finitos. Para Susanne Schmidt, professora honorária envolvida no estudo, o futuro passará por uma economia circular de nutrientes, baseada na reutilização de resíduos orgânicos, como estrume animal, águas residuais e desperdício alimentar.

Neste contexto, os resultados sugerem que as variedades tradicionais podem ser fundamentais para desenvolver culturas mais eficientes no uso de nutrientes reciclados. Incorporar características relacionadas com as raízes nos programas de melhoramento poderá aumentar a sustentabilidade agrícola e reduzir a dependência de recursos não renováveis.

A equipa pretende agora avançar para testes em campo com sorgo e outras culturas cerealíferas, de forma a validar os resultados em condições reais de produção.

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