Telhados de fibrocimento: um problema com solução energética

Durante décadas, milhares de naves industriais em Portugal foram construídas com coberturas de fibrocimento. À época, era uma solução barata, leve e funcional. Hoje, os milhões de metros quadrados que subsistem com esta tipologia de cobertura representam um problema estrutural, ambiental e de saúde pública e, paradoxalmente, uma oportunidade estratégica.

Redação

Por Pedro Silva, Country Manager Prosolia Portugal

Portugal celebra hoje, dia 28 de abril, mais um Dia Nacional de Prevenção e Segurança no Trabalho. Uma oportunidade para relembrarmos que a proteção começa na estrutura, mais concretamente no telhado.

Durante décadas, milhares de naves industriais em Portugal foram construídas com coberturas de fibrocimento. À época, era uma solução barata, leve e funcional. Hoje, os milhões de metros quadrados que subsistem com esta tipologia de cobertura representam um problema estrutural, ambiental e de saúde pública e, paradoxalmente, uma oportunidade estratégica.

Grande parte das coberturas de fibrocimento instaladas nas décadas de 60 e 70 contêm amianto, um material comprovadamente cancerígeno. Mesmo nas versões mais recentes, já sem amianto, o problema não desaparece: trata-se de um material frágil, que fissura com facilidade, permite infiltrações e se degrada com o passar dos anos. Qualquer intervenção que exerça pressão sobre estas placas aumenta significativamente o risco de rutura.

É precisamente por isso que não é viável instalar painéis solares diretamente sobre telhados de fibrocimento. A fixação das estruturas de suporte dos módulos fotovoltaicos provoca fissuras e, no caso das coberturas com amianto, pode originar a libertação de fibras perigosas, algo proibido e totalmente incompatível com as regras de segurança e saúde no trabalho. Em Portugal, a remoção e o manuseamento de materiais com amianto estão sujeitos a regras rigorosas, enquadradas por legislação específica que obriga à identificação, controlo e remoção segura destes materiais, precisamente devido ao risco comprovado para a saúde humana.

O verdadeiro desafio está na estrutura

As coberturas em fibrocimento foram amplamente utilizadas porque eram leves e permitiam estruturas de suporte mais aligeiradas. O problema é que essas mesmas estruturas, as asnas, pilares e madres que sustentam o edifício, não foram dimensionadas para suportar cargas adicionais significativas, como as de uma central fotovoltaica moderna.

Mesmo que se substituísse apenas a cobertura por um painel-sanduíche e se instalassem os painéis solares por cima, existiria o risco de comprometer a estabilidade do edifício. Não está em causa apenas a troca do “telhado”, mas sim a requalificação estrutural do imóvel.

Num projeto bem dimensionado, a intervenção deve incluir a substituição da cobertura, o reforço da estrutura e a fixação do sistema solar diretamente aos elementos estruturais do edifício e não apenas à nova cobertura. Esta abordagem garante uma solidez muito superior, particularmente relevante num contexto de fenómenos meteorológicos cada vez mais frequentes e intensos. O resultado é um edifício mais resistente, mais seguro e preparado para o futuro.

Previsibilidade financeira e investimento sem capital próprio

A substituição da cobertura aliada à instalação de uma central fotovoltaica tem um impacto direto: permite produzir energia própria, reduzir custos e diminuir a exposição à volatilidade do mercado. Ao consumir a energia no local, a empresa reduz também a dependência da rede e das tarifas de acesso, protegendo-se de decisões regulatórias e oscilações externas. Trata-se de uma solução “dois em um”: resolve um problema estrutural e cria uma fonte de energia competitiva e previsível.

Quando integrada num modelo PPA (Power Purchase Agreement), elimina-se a necessidade de investimento inicial. O promotor assume o custo da intervenção, cobertura, reforço estrutural e central solar, e a empresa paga apenas a energia que consome, a um preço acordado.

Este modelo converte um investimento significativo numa despesa operacional estável, sem recurso a capital próprio ou endividamento, permitindo previsibilidade orçamental, proteção face à volatilidade energética e libertação de liquidez para o core business.

Não falamos, portanto, da mera instalação de painéis solares. É um investimento completo e integrado na requalificação dos edifícios, na proteção das pessoas e na preparação empresas para um futuro energético mais exigente e mais competitivo. E, quando bem desenhada, esta transição não pesa no balanço das empresas, trabalha a favor dele.

📅 Inscreva-se já: VII Conferência Green Savers — ESG: o superpoder das empresas | 27 de maio, Auditório Carlos Paredes, Lisboa

Partilhe este artigo


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.