- O eclipse solar de 12 de agosto pode causar uma perda de 450 MW na produção solar entre as 18h30 e as 20h30.
- Esta redução representa aproximadamente 7% do consumo nacional e 45% da produção solar esperada para o horário.
- O fenómeno destaca a necessidade de flexibilidade na gestão de fontes renováveis não despacháveis.
- O armazenamento de energia e a gestão inteligente dos consumos são essenciais para equilibrar a rede elétrica.
- A situação do eclipse ilustra questões crescentes à medida que a energia solar se integra mais na rede.
O eclipse solar que atravessa Portugal esta quarta-feira, 12 de agosto, deverá provocar uma redução significativa da produção fotovoltaica, com a REN – Redes Energéticas Nacionais a estimar uma perda de geração solar de cerca de 450 MW entre as 18h30 e as 20h30. O valor corresponde a aproximadamente 7% do consumo nacional previsto para esse período e a 45% da produção solar centralizada esperada para o mesmo horário.
Para Pedro Miranda, cofundador e CEO da Youdera, o fenómeno, apesar de pontual, permite ilustrar um desafio estrutural da transição energética: a necessidade de assegurar flexibilidade num sistema cada vez mais dependente de fontes renováveis não despacháveis, cuja produção não pode ser ajustada diretamente em função da procura.
“O eclipse solar é um fenómeno pontual, mas ilustra bem um dos principais desafios de um sistema energético cada vez mais assente em fontes não despacháveis”, afirma Pedro Miranda, referindo-se a fontes cuja produção não pode ser ajustada a pedido, ao contrário da hídrica com albufeira ou da térmica.
De acordo com a REN, durante a fase mais intensa do eclipse, a redução da produção solar poderá atingir os 35 MW por minuto. “A REN estima uma perda de produção solar de cerca de 450 MW entre as 18h30 e as 20h30”, explica o responsável, acrescentando que a taxa de perda poderá chegar aos 35 MW por minuto durante a fase mais intensa do fenómeno.
O impacto será, contudo, parcialmente atenuado pelo facto de o fenómeno ocorrer ao final da tarde, numa altura em que a produção fotovoltaica já estaria naturalmente a diminuir. “Curiosamente, o impacto em Portugal é atenuado pelo horário em que ocorre: ao fim da tarde, quando a produção solar já estaria em declínio.”
Ainda assim, o horário representa também um desafio acrescido, uma vez que coincide com a aproximação do período de maior consumo elétrico. “Essa aparente vantagem tem o contraponto de se tratar de um período que coincide com a aproximação da hora de ponta do consumo, o que soma dois efeitos em vez de os anular.”
O episódio evidencia, assim, a importância de dispor de mecanismos capazes de compensar variações rápidas na produção renovável. “É aqui que o armazenamento e a flexibilidade ganham especial importância”, defende Pedro Miranda.
As baterias podem desempenhar um papel relevante neste contexto, permitindo armazenar eletricidade nos períodos de maior produção e disponibilizá-la quando a geração solar diminui ou a procura aumenta. “As baterias permitem guardar energia quando há maior produção e utilizá-la quando esta diminui ou a procura aumenta”, sublinha.
A par do armazenamento, Pedro Miranda destaca a gestão inteligente dos consumos como outra das ferramentas essenciais para equilibrar a rede. A capacidade de ajustar a procura em função da disponibilidade de energia poderá permitir reduzir a necessidade de recorrer, por defeito, a reservas de produção hídrica ou térmica.
“Uma gestão mais inteligente dos consumos ajuda a equilibrar o sistema sem recorrer, por defeito, a mais reserva hídrica ou térmica”, afirma.
O eclipse funciona, desta forma, como um exemplo concreto de uma questão que deverá ganhar peso à medida que aumenta a integração de energia solar: mais do que aumentar a capacidade de produção renovável, será necessário garantir que a eletricidade produzida pode ser armazenada, gerida e utilizada no momento em que é necessária.








