Quando falamos de reciclagem de embalagens, pensamos quase sempre em impacto ambiental. Mas e se uma embalagem reciclada pudesse fazer mais do que isso, e ajudasse a melhorar a vida de quem mais precisa? É esta a pergunta que atravessa o terceiro episódio da série que assinala os 30 anos da Sociedade Ponto Verde.
Depois de recordar os grandes marcos e de mostrar como se passou de reciclar mais para reciclar melhor, “Embalagens e Inovação Sempre no Ponto” chega talvez ao seu capítulo mais inesperado: aquele em que o plástico usado se transforma em inclusão social e em qualidade de vida.
Formar para incluir
A história começa na Academia Semear, um programa da associação BIPP criado em 2014 para responder a um problema persistente: a elevada taxa de desemprego das pessoas com dificuldade intelectual e do desenvolvimento. Ali, os formandos fazem um percurso que junta competências pessoais, sociais e técnicas, com o objetivo de os apoiar na integração no mercado de trabalho. Já passaram pela academia mais de 200 pessoas, com cerca de uma centena em formação neste momento e taxas de integração profissional acima da média nacional.
A ligação à Sociedade Ponto Verde traduz-se em várias iniciativas, de campos de férias inclusivos à recolha de tampas, passando pela presença da marca nos produtos gourmet que o Semear produz. Como se ouve no episódio, foi a vontade de juntar a dimensão social à dimensão ambiental que abriu caminho a algo novo: “com parcerias vamos muito mais depressa e mais longe”.
De garrafa a fibra têxtil
O desafio seguiu depois para o CeNTI, o Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes, que trabalha na transferência de tecnologia para a indústria. Em parceria com a Sociedade Ponto Verde, a equipa pegou em PET reciclado de embalagens e transformou-o em fibras, que por sua vez deram origem a estruturas têxteis funcionais.
Estas estruturas foram desenvolvidas a pensar em condições específicas, como a sialorreia (produção excessiva de saliva) e a hiperidrose (transpiração excessiva), com o objetivo de dar mais conforto e mais qualidade de vida a quem convive com elas no dia a dia. Uma inovação que, como se sublinha, não vale por si só, mas por ter um propósito muito concreto.
Três peças pensadas ao pormenor
Partindo de uma necessidade identificada por Joana Santiago, da Academia Semear, o estúdio Blind Design desenhou peças de design inclusivo em que a própria matéria-prima reciclada é o fator de inovação. O resultado foram três peças pensadas para assegurar 24 horas de conforto: uma peça de pulso, que dá mais autonomia na gestão da saliva ou do suor, um colete, que pode ser usado sobre a roupa ou em contacto direto com a pele para uma maior área de absorção, e um lenço multiúsos que completa o conjunto.
Muito mais do que um resíduo
O que começou como uma necessidade muito específica depressa se tornou num desafio de inovação com impacto real. Ao reunir organizações com competências tão diferentes, a Sociedade Ponto Verde ajudou a mostrar que os resíduos podem estar na origem de novos produtos capazes de responder a problemas concretos das pessoas. A conclusão do episódio resume tudo: uma embalagem reciclada é muito mais do que um resíduo, pode mesmo melhorar vidas.









