Aquecimento global e humidade estão a atrofiar crescimento das crianças
Milhões de crianças podem ver o seu crescimento atrofiado se o planeta continuar a aquecer devido à emissão de gases com efeito de estufa para a atmosfera. E o calor não é o pior, pois a humidade agrava os efeitos do aumento da temperatura.
Investigadores da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos Estados Unidos da América, estudaram os impactos da exposição pré-natal a condições extremamente quentes e húmidas na saúde de crianças no sul da Ásia.
Num estudo publicado na revista ‘Science Advances’, revelam ter percebido que a humidade agrava em cerca de quatro vezes – quando comparando com os efeitos somente das altas temperaturas – os impactos da exposição ao calor, em parte porque impede que as grávidas consigam arrefecer os seus organismos.
“A exposição intrauterina a condições quentes e húmidas é perigosa para a saúde da criança, e mais ainda do que apenas a temperaturas elevadas”, explica, citada em comunicado, Kathryn McMahon, primeira autora do artigo.
A investigação revelou que a maioria das crianças que experienciaram altas temperaturas e condições de grande humidade durante cada trimestre no útero estavam 13% abaixo da altura normal para a sua idade. Quando a exposição era apenas a altas temperaturas, a redução da altura era, em média, de 1%.
McMahon e a equipa dizem que, ao focarem-se apenas nos efeitos da temperatura, muitos investigadores, médicos e oficiais de saúde pública podem estar a subestimar os verdadeiros impactos dos extremos climáticos. E salientam que isso é ainda mais preocupante uma vez que tudo indica que essas condições se tornarão mais frequentes e intensas devido às alterações climáticas.
