Macacos-aranha combinam o seu conhecimento para encontrarem as árvores com os melhores frutos

Cientistas do México e do Reino Unido revelam que os macacos-aranha “combinam a sua informação de forma a produzirem novo conhecimento”

Filipe Pimentel Rações

Os macacos-aranha, primatas do género Ateles conhecidos por usarem as suas caudas flexíveis e preênseis como se fossem um quinto membro para se deslocarem pelas árvores, são capazes de combinar aquilo que sabem com o conhecimento de outros para melhorarem as hipóteses de encontrarem os melhores frutos.

A conclusão é de um estudo publicado este mês na revista ‘npj Complexity’, no qual cientistas do México e do Reino Unido escrevem que os macacos-aranha “combinam a sua informação de forma a produzirem novo conhecimento”.

Entre 2012 e 2017, foram feitas observações no terreno de grupos de macacos-aranha da espécie Ateles geoffroyi que vivem numa área protegida na península do Iucatão, no México. A equipa percebeu que os animais mudavam frequentemente de subgrupos, com três ou mais indivíduos, para poderem partilhar o que sabem sobre a localização das árvores com os melhores frutos e sobre a melhor altura para os apanharem e comerem, mas também para poderem obter informações que outros tenham.

Por exemplo, esse comportamento poderia traduzir-se em algo como um subconjunto de macacos ir até outro para partilhar o que sabe sobre a localização de uma fonte de alimento e o outro subgrupo partilhar o que sabe sobre quando será a melhor altura para colher os frutos nessa árvore ou nesse local.

É como se cada subgrupo tivesse uma peça do puzzle: juntando-as todos podem beneficiar de uma imagem mais clara sobre onde estão os melhores frutos. Esse conhecimento resulta da experiência que os animais têm dos locais onde vivem, das visitas que fazem às árvores e associando o que encontram à altura do ano em que estão.

Dessa forma, podem minimizar desperdícios de tempo e de energia à procura de alimento ou a visitar locais onde não estejam as fontes de alimento mais nutritivas.

A equipa de cientistas considera que este é “um exemplo convincente de inteligência coletiva em condições naturais”.

Ao mudarem constantemente de subgrupos, os macacos-aranha que sabem coisas diferentes e que conhecem partes distintas da floresta em que vivem podem partilhar essa informação e aumentar o conhecimento o geral do grupo.

Os macacos-aranha Ateles geoffroyi são uma espécie nativa das florestas da América Central e estão classificados como “Em Perigo” de extinção na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. A intensa perda de habitat causada pela desflorestação e o tráfico para os mercados de animais de estimação exóticos são as principais ameaças.

Esses riscos são amplificados pelo facto de esses primatas começarem a reproduzir-se tarde, por só darem à luz uma cria por época de reprodução e por terem longos intervalos entre partos.

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