Madeira distribui 10 mil cinzeiros portáveis e alerta para efeitos das beatas no ambiente

O Governo Regional da Madeira iniciou hoje a distribuição de 10 mil cinzeiros portáteis em áreas balneares, no âmbito de uma campanha de sensibilização para os efeitos nocivos no ambiente das beatas de cigarros.

Green Savers com Lusa

“As beatas contêm plástico e indo para o mar podem levar 12 anos até desaparecer, até se degradar. Além disso, as beatas contêm contaminantes e, ao se dissolverem, poluem a água”, advertiu a secretária regional de Ambiente, Recursos Naturais e Alterações Climáticas, Susana Prada, na marina da Calheta, na zona oeste da Madeira.

A governante percorreu a área e distribuiu cinzeiros aos banhistas e transeuntes, bem como sacos com 50 unidades aos taxistas e comerciantes, recordando que em 03 de setembro entrou em vigor a nova lei que prevê coimas entre 25 e 250 euros para quem atirar pontas de cigarro para o chão em espaço público.

“Está entregue o recado e obrigado pela iniciativa”, disse o taxista Fernando dos Santos, assegurando que vai distribuir os cinzeiros pelos seus clientes fumadores. E reforçou: “Temos de proteger o ambiente. Nós, com isto, entregamos a mensagem. Agora, fica a cada quem pensar em fazer o melhor, é a consciência de cada quem.”

O seu colega de praça Nélio Barcelos partilha da mesma opinião: “Acho que esta campanha vai funcionar, porque se estivermos todos unidos isto vai para a frente.”.

A iniciativa da Secretária Regional do Ambiente, Recursos Naturais e Alterações Climáticas está integrada no projeto “Clean Atlantic”, no âmbito do programa comunitário INTEREG, que envolve Portugal, Espanha, França, Reino Unido e Irlanda, mas registou um atraso devido às medidas de contenção da pandemia da covid-19.

A distribuição dos cinzeiros portáteis estava prevista para o início da época balnear, antes da entrada em vigor da nova legislação, mas o período de confinamento retardou o processo.

“Começamos hoje, aqui, na Calheta, mas vamos a todas as praias da região”, afirmou Susana Prada.

Os cinzeiros portáteis são feitos em material maleável e resistente ao calor, têm a forma de um porta-moedas e apresentam uma mensagem alertando que uma só beata contamina um quarto de litro de água do mar e afeta 50% dos organismos presentes na coluna de água e também contamina um quilo de sedimento e afeta 50% dos organismos que vivem enterrados.

Em 03 de setembro entrou em vigor a Lei n.º 88/2019 de redução do impacto das pontas de cigarros, charutos ou outros cigarros no meio ambiente, que prevê medidas para recolha e tratamento dos resíduos de tabaco e pune com coimas entre 25 e 250 euros quem atirar beatas para a via pública.

Ao abrigo da lei, as pontas de cigarros, charutos ou outros cigarros contendo produtos de tabaco passam a ser equiparadas a resíduos sólidos urbanos e, por isso, fica proibido o seu “descarte em espaço público”.

A fiscalização é da responsabilidade da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), das câmaras municipais, Polícia Municipal, Guarda Nacional Republicana, Polícia de Segurança Pública, Polícia Marítima e das restantes autoridades policiais.

A instrução dos processos e a aplicação das coimas para quem não cumprir competem à ASAE e à câmara municipal respetiva, sendo que o dinheiro será distribuído pelo Estado (50%), entidade autuante (20%) e entidade que instruiu o processo (30%).

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