O que o voo da coruja pode ensinar aos fabricantes de aviões?



À medida que os aviões se tornam mais modernos, os reguladores exigem que eles causem menos poluição sonora e, por isso, várias equipas de investigadores têm estudado o voo desta ave, considerado extremamente silencioso. Agora, os investigadores do Laboratório de Ciências Aeronáuticas da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Unicamp, no Brasil, em colaboração com cientistas do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e da Universidade Lehigh, dos Estados Unidos, identificaram características nas asas da coruja que, adaptadas nas asas de aviões, possibilitam projetar aeronaves mais silenciosas.

“Desenvolvemos um modelo numérico matemático para simular algumas características das asas da coruja em asas de aviões. Comprovámos através de experiências que isso possibilita a construção de aeronaves mais silenciosas”, diz William Wolf, professor da FEM-Unicamp e um dos responsáveis pelo projeto do lado do Brasil.

Na descolagem, quando a aeronave precisa de potência máxima para levantar voo, a maior parte do ruído é gerada pelo motor. Já durante a aterragem, quando a potência do motor é reduzida, as principais fontes de ruídos aerodinâmicos passam a ser o trem de aterragem e as superfícies hipersustentadoras, compostas pelas asas, flaps e slats – dispositivos móveis localizados nas asas com a função de aumentar a área de superfície e elevar a sustentação da aeronave. “O ruído aerodinâmico é causado pela turbulência nesses pontos da aeronave”, explica Wolf.

“As corujas caçam à noite, quando as informações visuais são restritas”, acrescenta o biólogo Thomas Bachmann. “Por isso, são especializadas em detectar a presa através da audição. E isso só funciona se fizerem o mínimo de ruído ao voar.”

Ao estudar a aerodinâmica do voo da coruja-das-torres, Bachmann notou que ela pesa quase tanto quanto um pombo. No entanto, as suas asas são bem maiores e mais arqueadas. “Isso possibilita às aves uma sustentação muito maior a baixas velocidades”, explica o biólogo. Em contrapartida, os pombos precisam bater muito forte com as asas, o que faz com que sejam ouvidos de longe. Além disso, as penas das corujas quase não provocam atrito, o que também contribui para um voo silencioso.

Nas arestas frontais, estas aves apresentam uma delicada estrutura de ganchos dispostos em forma de pente, e sua superfície é macia como veludo, resultando em microturbulências na superfície das asas durante o voo. Estas microturbulências na superfície das asas da coruja melhoram a aderência da corrente aérea.

Porém, não é possível aplicar diretamente as características das asas da coruja aos aviões comerciais, até porque o voo desses pássaros se limita a uma velocidade entre dez e 15 quilómetros por hora. Contudo, os princípios físicos são perfeitamente aplicáveis, por exemplo, no desenvolvimento de ventiladores, hélices ou turbinas especialmente silenciosos.





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