Por que é que os dinossauros nunca viveram na região equatorial?

Uma nova investigação indica que os padrões climáticos extremos impediram que os grandes herbívoros se fixassem nesta zona – e tal pode voltar a acontecer, mas com os animais modernos.

Green Savers

Durante mais de 30 milhões de anos depois de os primeiros dinossauros aparecerem na Terra, estes animais optaram sempre por viver fora da região equatorial, vivendo ora num hemisfério ora noutro e atravessando o Equador sempre que necessário, mas sempre sem se fixarem nesta zona tropical. Os únicos dinossauros que optavam por viver nesta zona eram carnívoros de pequeno porte.

Este longo período em que os grandes carnívoros e herbívoros não habitaram as baixas latitudes é uma das grandes questões sobre a ascensão dos dinossauros sem resposta. Porém, uma nova investigação vem dar resposta à questão.

O novo estudo feito por uma equipa internacional de cientistas conseguiu recriar com detalhe as condições climatológicas e ecológicas de há mais de 200 milhões de anos na região de Ghost Ranch, no estado norte-americano do Novo México, um local rico em fósseis do Período Triásico Superior.

Grandes incêndios, secas, falta de alimentos e alterações climáticas extremas são alguns dos factores que ajudam a explicar a escassez de dinossauros nesta região do globo ao longo de mais de 30 milhões de anos.

“Os nossos dados indicam que não era um local divertido”, afirma Randl Irmis, um dos autores do estudo e professor assistente na Universidade do Utah, cita o Discovery News. “Era um tempo de extremos climáticos que oscilavam de forma imprevisível e os grandes dinossauros herbívoros não conseguiam subsistir na região equatorial”, explica o investigador.

A investigação é a primeira a fornecer dados detalhados do clima e ecologia durante o aparecimento dos dinossauros. Os resultados são igualmente importantes para se melhor perceber o aquecimento global provocado pela actividade humana. Os níveis atmosféricos de dióxido de carbono (CO2) durante o Triásico Superior eram quatro a seis vezes superiores aos actuais. “Se continuarmos com o padrão actual de emissões, poder-se-ão desenvolver condições semelhantes num mundo com elevadas concentrações de CO2, que destruirão os ecossistemas a baixas latitudes”, acrescenta Irmis.

As conclusões foram publicadas na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

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