São João da Madeira corrige ligações indevidas de água da chuva à rede de saneamento



A Câmara Municipal de São João da Madeira revelou hoje que está a corrigir 228 ligações indevidas de escoamento de águas de chuva encaminhadas para a rede de saneamento, o que vinha sobrecarregando esse sistema.

Com uma das redes de saneamento mais antigas do país, o concelho que integra o distrito de Aveiro e é o mais pequeno a nível nacional, procedeu em abril, maio e junho a uma fiscalização no seu território de cerca de oito quilómetros quadrados, inspecionando através de observação presencial e testes de fumo 3.483 caixas de drenagem de águas pluviais e 5.803 caixas das residuais.

“O que se pretendia é corrigir estas ligações incorretas para evitar que seja enviada para tratamento a água proveniente das chuvas, já que essa não necessita de ser tratada e deve seguir para os cursos de água naturais. Se tudo estiver com ligações corretas, há vantagens para a cidade, ao nível da sustentabilidade económica, e há vantagens ambientais, porque mais água limpa entra nos rios”, explica o presidente da câmara, Jorge Vultos Sequeira, e, por inerência, administrador da empresa municipal, Águas de São João.

A fiscalização em causa identificou falhas estruturais, defeitos nas juntas, captações indevidas e outras irregularidades, e resultou na deteção de problemas em 8% das ligações analisadas.

Entre essas falhas, as mais comuns foram coletores e condutas rompidos, defeitos de construção e tampas e sumidouros seguros por parafusos em vez de soldadura, mas, de todas as anomalias, as que mais preocupam a autarquia são as relacionados com ligações que vinham escoando as águas da chuva para a rede de saneamento, o que conduz a uma sobrecarga escusada das estações de tratamento de águas residuais (ETAR).

Jorge Vultos Sequeira realça que a fiscalização executada pela Águas de São João custou 74.232 euros e foi “inovadora”, permitindo identificar com rigor “situações que, em alguns casos, têm décadas”.

Do total das 228 más ligações detetadas, 15 respeitam a construções de ordem pública e 213 a prédios privados. No contexto dessas últimas, 82 casos já foram retificados, 53 estão em fase de resolução e 78 continuam por resolver devido à dificuldade em contactar os devidos responsáveis e proprietários.

Jorge Vultos Sequeira realça, contudo, que a maioria das intervenções de correção já está em curso e salienta a disponibilidade de alguns munícipes em colaborar nesse esforço, uma vez que, quando alertados para as ligações mal executadas, logo as retificaram, revelando assim “grande civismo e consciência ambiental e ecológica”.

Ligações indevidas das redes de águas pluviais à rede águas residuais são ilegais e podem ser perigosas. Os exemplos mais evidentes de riscos são dois: águas residuais ligadas à rede de águas da chuva levam a que os esgotos domésticos sejam encaminhados diretamente para rios e mar, poluindo-os; águas pluviais ligadas à rede de residuais podem motivar, em dias de chuva intensa, a sobrecarga da rede de saneamento, provocando inundações domésticas por água com esgoto.





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