De acordo com o novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (WMO), nos últimos 50 anos ocorreu um desastre hídrico, climático ou meteorológico, todos os dias. Os dados indicam que o número destes acontecimentos está 5 vezes superior, devido às alterações climáticas.
Entre 1970 e 2019, estes desastres resultaram em mais de 2 milhões de mortes e em 3,07 biliões de euros em perdas – o equivalente a 45% de todas mortes e 74% de todas as perdas económicas identificadas durante esse período. A maioria das mortes ocorreu em países em desenvolvimento, como a Etiópia, o Bangladesh e o Sudão.
Observando os 10 principais desastres ocorridos a nível mundial, os perigos que levaram às maiores perdas de vidas humanas foram as secas (650 mil mortes), as tempestades (577 232 mortes), as inundações (58 700 mortes) e as temperaturas extremas (55 736 mortes).
Os 5 maiores desastres relativamente ao número de mortes provocadas foram, a seca de 1983 na Etiópia (300 mil mortes), o Ciclone Bhola em 1970 no Bangladesh (300 mil mortes), a seca de 1983 no Sudão (150 mil mortes), o Ciclone Gorky em 1991 no Bangladesh (138 866 mortes) e o Ciclone Nargis em 2008 no Myanmar (138 366 mortes).
Em relação aos 5 maiores desastres relacionados com as perdas económicas, ocorreram todos nos Estados Unidos entre 2005 e 2017. São eles o Furacão Katrina (163 mil milhões de dólares), o Furacão Harvey (96 mil milhões de dólares), o Furacão Maria (69 mil milhões de dólares), o Furacão Irma (58 mil milhões de dólares)e o Furacão Sandy (54 mil milhões de dólares).
A situação na Europa, não é diferente: no período em análise, foram registados mais de 1600 desastres que resultaram em 159 438 mortes. As temperaturas extremas foram a causa que provocou o maior número de mortes (93%), contudo, as inundações e as tempestades foram os episódios mais comuns de ocorrer.
No top 10 de maiores desastres ocorridos na Europa, em relação ao número de mortes, Portugal encontra-se em sétimo lugar, com a ocorrência de temperaturas extremas em 2003, que levaram à morte de 2696 pessoas. Já o número de desastres ocorridos no país durante o mesmo período foi no total 48; 43 em Território Continental, 3 no Arquipélago da Madeira e 2 no Arquipélago dos Açores.
Petteri Taalas, Secretário-Geral da WMO, alerta: “O número de eventos extremos do clima, do tempo e de água estão a aumentar e vão tornar-se mais frequentes e severos em muitas partes do mundo como resultado das alterações climáticas. Isso significa mais ondas de calor, secas e incêndios florestais como os que observámos recentemente na Europa e na América do Norte. Temos mais vapor de água na atmosfera, o que está a agravar as chuvas extremas e as inundações mortais. O aquecimento dos oceanos afetou a frequência e a área de existência das tempestades tropicais mais intensas”.
Em suma, o relatório identifica algumas lições, que servem de recomendação para todos:
- Rever a exposição ao perigo e a vulnerabilidade, considerando as alterações climáticas no sentido de perceber que os ciclones tropicais podem ter diferentes trilhos, intensidade e velocidade;
- Fortalecer os mecanismos de financiamento do risco de desastres a nível nacional e internacional, especialmente para os países pouco desenvolvidos e para os pequenos estados insulares e territórios em desenvolvimento;
- Desenvolver políticas integradas e proativas sobre desastres de início lento, como é o caso das secas.
“Mais vidas estão a ser salvas graças aos sistemas de alerta precoce, mas também é verdade que o número de pessoas expostas ao risco de desastres está a aumentar devido ao crescimento populacional em áreas expostas a perigos e à crescente intensidade e frequência dos eventos climáticos. É necessária uma maior cooperação internacional para enfrentar o problema crónico de um grande número de pessoas que são deslocadas a cada ano devido a inundações, tempestades e secas. Precisamos de um maior investimento na gestão abrangente do risco de desastres, garantindo que a adaptação às alterações climáticas é integrada nas estratégias nacionais e locais de redução do risco de desastres”, afirma Mami Mizutori, Representante Especial do Secretário-Geral para Redução do Risco de Desastres da Organização das Nações Unidas.









