Organizações criam mapa da “destruição ambiental” causada pela guerra russa contra a Ucrânia

No dia 24 de fevereiro, assinala-se um ano desde o início da guerra da Rússia e as organizações ambientalistas dizem que não podemos esquecer o restauro da Natureza quando pensamos na reconstrução da Ucrânia.

Filipe Pimentel Rações

No próximo dia 24 de fevereiro assinala-se um ano desde que a Rússia desencadeou uma guerra de agressão contra a vizinha Ucrânia. Dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos aponta que há registo de, pelo menos, oito mil mortes confirmadas de civis e cerca de 13.300 feridos, sendo que o verdadeiro número poderá ser “substancialmente maior”.

A par da perda de vidas humanas, a devastação da Natureza, que em tempos de guerra é secundarizada como mero pano de fundo, é também um dos devastadores reflexos do conflito militar que está a abalar a Europa e o mundo.

Para mostrar a dimensão dos danos ambientais causados, a secção da Europa Central e do Leste da organização não-governamental (ONG) Greenpeace e a congénere ucraniana Ecoaction criaram um mapa que apresenta “um conjunto de casos de destruição ambiental causados pela guerra russa”. O objetivo é dar a conhecer ao governo ucraniano e à União Europeia quais devem ser as prioridades do financiamento para o restauro na Natureza na Ucrânia.

Mapa dos danos ambientais causados pela guerra da Rússia contra a Ucrânia, criado pela Greenpeace e pela Ecoaction.

Dos cerca de 900 casos identificados pelas ONG, e que foram depois confirmados por imagens de satélite, foram escolhidos 30 que apresentam “os danos ambientais mais graves”, que incluem pequenas descrições e estão organizados por categorias: ‘danos em instalações industriais’, ‘segurança energética’, ‘impactos nos ecossistemas’, ‘impactos nos ecossistemas marinhos’ e ‘segurança nuclear’.

Uma vez que, um ano volvido, a guerra não parece dar sinais de abrandamento que permitam espaço para a esperança num fim a breve trecho, as organizações dizem que continuarão a monitorização o estado do ambiente na Ucrânia e atualizar as suas bases de informação.

Denys Tsutsaiev, da Greenpeace, admite que “é complicado mapear os danos causados pela guerra da Ucrânia”, explicando que se estima que grandes porções dos territórios reconquistados às tropas russas “estão repletas de minas e outros explosivos” e que nas áreas que estão ocupadas pelas forças de Moscovo é difícil recolher dados.

“No entanto, precisamos de chamar cada vez mais atenção para os danos ambientais, para que o restauro da Natureza possa ser uma parte importante da discussão sobre o futuro da Ucrânia”, afirma o ambientalista, que acrescenta que os fundos para esses trabalhos de recuperação devem ser já postos de parte, “não quando a guerra terminar”.

Informações prestadas pelas instituições governamentais ucranianas indicam que, desde 24 de fevereiro de 2022, aproximadamente 1,24 milhões de hectares de reservas naturais foram afetados pela guerra. A somar a isso, estima-se que três milhões de hectares de floresta na Ucrânia tenham sido diretamente afetados pelos combates e que, desse total, 450 mil estejam atualmente sob ocupação ou a servir de palco para confrontos armados.

Os ambientalistas alertam que a guerra tem provocado a destruição de inúmeros habitats, a deflagração de fogos e a contaminação de solos e de aquíferos. Adicionalmente, as explosões de foguetes e de artilharia “criam um cocktail de compostos químicos”, como monóxido e dióxido de carbono, vapor de água, vários óxidos de azoto, formaldeído e cianeto de hidrogénio.

Esses compostos, após a explosão, são oxidados e “os produtos da reação são libertados na atmosfera”, explicam os ambientalistas, que destacam que também os fragmentos metálicos usados nas munições podem poluir os solos e os aquíferos e afetar as teias tróficas, afetando a saúde dos humanos, dos animais e das plantas.

As ONG consideram que a reconstrução das cidades ucranianas deve contemplar planos de restauro da Natureza perdida para a guerra, observando que “o sofrimento e a destruição da Natureza em tempos de guerra são imensos e terão consequências a longo-prazo para a vida de todos os humanos e ecossistemas nas área afetadas”.

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