ONG acusa Shell de financiar material e programas escolares que minimizam impactos de energia fóssil na crise climática

A organização não-governamental do clima Comms Declare diz que desde 2015 o Museu de Queensland, na Austrália, recebeu mais de cinco milhões de euros da unidade de negócio QGC da Shell para financiar programas e materiais educativos para crianças dessa região australiana.

Redação

A organização não-governamental do clima Comms Declare diz que desde 2015 o Museu de Queensland, na Austrália, recebeu mais de cinco milhões de euros da unidade de negócio QGC da Shell para financiar programas e materiais educativos para crianças dessa região australiana.

Na sua mais recente investigação, a organização revela ter recebido garantias por parte do Museu de que os seus programas e materiais, exposições e investigações científicas continuam a ser totalmente independentes e de que parcerias com a firmada com a Shell são estruturadas de forma a não influenciarem conteúdos e as mensagens transmitidas ao público.

Contudo, a Comms Declare avança que, apesar das garantias dadas pelo Museu de Queensland, reviu vários dos materiais patrocinados pelas Shell e que esses apresentam “uma imagem enviesada e incompleta da ciência climática”, pelo que acabam por tornar-se “uma ferramenta de obstrução climática”.

Mais especificamente, a organização ambientalista explica que os materiais analisados omitem os contributos dos combustíveis fósseis como a principal causa do aquecimento global e da acidificação dos oceanos e mostram as alterações climáticas como um “problema técnico neutro” que pode ser resolvido através da inovação em vez de através de grandes transformações.

A investigação aponta ainda que os conteúdos financiados pela Shell e distribuídos pelo Museu de Queensland “legitimam” a poluição “garantindo à Shell credibilidade moral e social”, procuram encorajar os estudantes a seguirem carreiras na indústria dos combustíveis fósseis e minimizam a responsabilidade das petrolíferas pela crise climática, transferindo-a “de causas sistémicas” para comportamento individual.

Para Belinda Noble, fundadora da Comms Declare, “isto é obstrução climática disfarçada de educação”, defendendo que empresas de combustíveis fósseis não deveriam podem influenciar a forma como as crianças aprendem sobre o clima.

Lesley Hughes, cientista que foi principal autora de relatórios do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) e que participou na análise destes materiais financiados pela Shell, diz, citada em nota, que “estou chocada com o facto de uma empresa de combustíveis fósseis estar envolvida na educação científica dos nossos jovens, que são aqueles que mais sofrerão com as suas atividades climaticamente destrutivas”.

De acordo com a Euronews, um porta-voz do negócio QGC da Shell assegurou que a empresa não tem qualquer envolvimento no conteúdos dos materiais nem no desenvolvimento de quaisquer outros recursos de educação disponibilizados pelo Museu de Queensland.

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