Área agrícola na Madeira diminuiu e floresta laurissilva cresceu nos últimos 17 anos

A área agrícola da Madeira registou uma redução significativa nas últimas duas décadas, passando de 12.000 hectares em 2008 para 5.211 em 2025, conforme indica o relatório do 3.º Inventário Florestal da Região Autónoma (IFRAM3).

Green Savers com Lusa

A área agrícola da Madeira registou uma redução significativa nas últimas duas décadas, passando de 12.000 hectares em 2008 para 5.211 em 2025, conforme indica o relatório do 3.º Inventário Florestal da Região Autónoma (IFRAM3), apresentado ontem no Funchal.

O IFRAM3 sinaliza, por outro lado, um aumento da floresta laurissilva, classificada como Património Mundial da Humanidade desde 1999, que ocupa agora 16.440 hectares (mais 6%) da área total do arquipélago da Madeira (78.471 hectares), o que corresponde a 98% da floresta natural da região.

“Como qualquer instrumento de planeamento, [o inventário] é fundamental para conhecermos a nossa realidade. Se não conhecermos a nossa realidade, corremos o risco de decidir mal logo à partida”, disse o secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, na conferência de apresentação do IFRAM3.

O governante sublinhou o “trabalho contínuo e com profundidade científica” executado pelo Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN) ao nível da caracterização e monitorização dos recursos florestais do arquipélago, de que é exemplo o 3.º Inventário Florestal, depois dos que foram realizados em 2008 e 2015.

O IFRAM3 indica que 37.539 hectares da área total da região autónoma (48%) são ocupados por floresta e outras áreas arborizadas, divididos entre 16.440 de floresta natural (44%) e 19.579 hectares de floresta cultivada (52%), ao passo que o uso do solo em termos urbanos ocupa 7.290 hectares (10%) da ilha da Madeira.

O eucalipto domina amplamente a área de floresta cultivada com 10.168 hectares (52%), seguido das acácias com 4.102 hectares (21%) e do pinheiro-bravo com 2.337 hectares (12%).

O relatório do IFRAM3 dá conta que as florestas na Madeira apresentam um estado de vitalidade positivo, sendo que a laurissilva e os urzais arbóreos registam 100% de parcelas em estado “Bom”.

Já o eucalipto puro apresenta 35% de árvores mortas, ao passo que o pinheiro-bravo puto regista 22% em estado “Mau” e 12% dos eucaliptos mistos dominantes apresentam indícios de deslizamentos de terra.

Na ilha da Madeira, foram ainda sinalizados, entre outros, 23.898 hectares (32%) de matos e herbáceas, 5.211 hectares (7%) de áreas improdutivas e 19 hectares (menos de 1%) de águas interiores.

O IFRAM3, classificado como um instrumento estratégico fundamental para o conhecimento, a monitorização e a gestão sustentável da floresta madeirense, foi executado pela empresa VIAMAPA – Serviços de Topografia, sob orientação do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza da Madeira, e foi financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (68.816 euros).

“Para quem critica o IFCN e as suas medidas, aqui está um exemplo de que todas as medidas têm por base informação atualizada, rigorosa e científica”, disse o presidente da instituição, Manuel Filipe, na conferência de apresentação do inventário, vincando que o seu objetivo é “tomar as melhores decisões em políticas ambientais e de preservação” do património florestal.

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