Se tivessem de escolher, 58% da população mundial daria prioridade à proteção ambiental em detrimento do crescimento económico, diz estudo que analisou respostas dadas por residentes em 92 países.
Esses resultados foram apresentados num artigo publicado recentemente na revista ‘Ecological Economics’, no qual os investigadores Jukka Kilgus e Trisha Shrum, ambos da Universidade de Vermont (Estados Unidos da América), argumentam que a agenda e dos discursos políticos parecem não coincidir, pelo menos nesses dois tópicos, com o que as pessoas realmente pensam.
“Frequentemente, o discurso político foca-se muito no objetivo do crescimento económico, mas os nossos resultados mostram que, na verdade, essa não é a prioridade das pessoas”, diz Kilgus. “Em vez disso, muitas vezes privilegiam muitas vezes co bem-estar social e ecológico”, acrescenta, esclarecendo que “estes não são apenas licenciados com tendências de esquerda em países ricos, mas um grupo diverso de pessoas com origens muito diferentes e de vários países”.
De acordo com o estudo, o maior apoio à proteção ambiental sobre o crescimento económico vem da Europa ocidental, do sudeste asiático, das Américas, da Austrália e da Nova Zelândia. Nos países ocidentais, os dados revelam que a priorização do ambiente é manifestada sobretudo por mulheres, jovens, elevados níveis de educação e pessoas com inclinações à esquerda.
O apoio à proteção ambiental em detrimento do crescimento económico é menos pronunciado na Europa de Leste, na Ásia Central, em África e no Médio Oriente, algo que os investigadores sugerem que se deve ao facto de nessas regiões haver um menor poder de compra e, por isso mesmo, é dada mais importância ao crescimento económico como forma de melhorar as condições de vida.
Essa grande diversidade de opiniões, com maior ou menor apoio ao ambiente face à economia a provir de vários perfis socioeconómicos, leva os autores a escreverem que “não há um conjunto universal de fatores que influencie a prioridade que as pessoas dão ao ambiente sobre a economia”.
“Especialmente em países não-ocidentais”, dizem, fatores como o género, o nível de escolaridade, a idade, os rendimentos e a orientação política “nem sempre têm o efeito esperado”. Como exemplo, apontam alguns países em África, na Ásia e na Europa de Leste, onde níveis mais elevados de escolaridade e tendências políticas de esquerda “não se alinham necessariamente com um maior apoio ao ambiente”.
Embora reconheçam que é arriscado fazer generalizações, especialmente dado a grande diversidade constatada neste trabalho, os investigadores argumentam que, ainda assim, “grande parte do público prefere dar mais importância à proteção ambiental e menos ao crescimento económico”.









