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Calor extremo pode reduzir a vitalidade das cidades

O sul da Europa, Península Ibérica incluída, é uma das regiões da Terra que está a aquecer mais rapidamente do que a média global. Uma equipa de investigadores debruçou-se sobre Espanha para perceber como é que o calor extremo pode afetar a vida nas cidades.

Redação

O calor extremo, fruto de efeitos de estufa locais e globais gerados por emissões de gases poluentes, deverá continuar a atingir cidades por todo o mundo, à medida que as alterações climáticas continuam a agravar-se.

O sul da Europa, Península Ibérica incluída, é uma das regiões da Terra que está a aquecer mais rapidamente do que a média global. Uma equipa de investigadores debruçou-se sobre Espanha para perceber como é que o calor extremo pode afetar a vida nas cidades.

Com base na análise de dados de telemóveis de 13 milhões de pessoas, mais de um quarto da população espanhola, verificou-se que, em dias de mais calor, há uma redução da mobilidade individual. Por isso, quando as temperaturas sobem muito, as pessoas estão menos socialmente ativas e, como resultado, os centros urbanos tornam-se menos vibrantes.

Os dados, anónimos, foram recolhidos pelo ministério dos transportes espanhol e examinados por Andrew Renninger, da University College London, e Carmen Cabrera, da Universidade de Liverpool. Num artigo publicado este mês na revista ‘PNAS Nexus’, avançam que, em dias quentes, a mobilidade das pessoas cai até 10%, percentagem que duplica em tardes de grande calor. Ou seja, mais calor equivale a pessoas, e a cidades, menos ativas.

A redução da mobilidade afeta principalmente os mais velhos, sem grandes diferenças entre sexos. Por outro lado, as pessoas com menores rendimentos parecem ser as que, comparando com pessoas com maiores rendimentos, se deixam afetar pelo calor, algo que os investigadores dizem poder estar relacionado com o facto de não poderem ou não quererem faltar ao trabalho ou trabalhar remotamente em dias muito quentes.

A dupla de cientistas argumenta que o calor extremo tem, assim, um efeito socioeconómico ao reduzir a convivência social entre diferentes classes.

Programas para promover a instalação de mais equipamentos de ar condicionado pode ajudar as pessoas a lidarem com o calor, mas, dizem os autores deste estudo, não ajudará a manter o dinamismo das cidades, uma vez que as pessoas tendem a manter-se isoladas em dias de calor extremo.

Por isso, defendem que o aumento dos espaços verdes nas cidades e o ensombramento de zonas de grande afluência e importância na vida urbana podem ser formas de tornar os centros urbanos mais atrativos e habitáveis à medida que o clima vai aquecendo.

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