A participação das comunidades deixou de ser apenas um complemento na conservação da natureza e passou a ser um elemento essencial para a monitorização de morcegos e a proteção de espécies ameaçadas, conclui um novo estudo da Murdoch University.
A investigação, desenvolvida pela Escola de Ciências Ambientais e de Conservação da universidade, sublinha que a colaboração entre instituições académicas, organismos públicos, organizações sem fins lucrativos e cidadãos é cada vez mais determinante para melhorar a qualidade dos dados e garantir que estes são integrados em políticas de conservação.
Ciência cidadã ganha peso na investigação
Segundo a ecologista Kelly Sheldrick, a ciência cidadã tem vindo a assumir um papel crescente no estudo dos morcegos na Austrália e noutras regiões do mundo.
“As contribuições dos cidadãos são essenciais para avançar a nossa compreensão da ecologia dos morcegos a nível global”, refere a investigadora, destacando que a recolha de dados em larga escala é fundamental para compreender a distribuição das espécies e as suas variações sazonais.
Esses dados permitem apoiar a proteção de habitats, orientar o planeamento do uso do solo e detetar precocemente quedas populacionais, possibilitando intervenções mais rápidas em termos de conservação.
Morcegos: espécies essenciais mas subestimadas
O estudo lembra que os morcegos representam cerca de um quarto de todas as espécies de mamíferos e desempenham funções ecológicas fundamentais, como o controlo natural de insetos, a polinização e a dispersão de sementes.
Apesar disso, continuam frequentemente associados a perceções negativas. “Os morcegos são muitas vezes mal vistos”, reconhece Kelly Sheldrick, sublinhando que estes animais são essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas e para a agricultura, ao reduzirem a necessidade de pesticidas.
Participação pública e coexistência
Entre os métodos mais utilizados em projetos de ciência cidadã destacam-se os registos acústicos, contagens em abrigos, análise de dados existentes e monitorização de caixas-ninho.
Os investigadores alertam ainda para ameaças crescentes, como a destruição de habitats, colisões com turbinas eólicas e perseguição devido a desinformação.
A equipa defende que a convivência com morcegos pode ser segura com medidas simples de precaução e sensibilização. Em caso de contacto, recomenda-se não tocar nos animais e facilitar a sua saída natural dos edifícios.
O estudo, publicado na revista da British Ecological Society, conclui que a ciência cidadã é hoje uma ferramenta indispensável para a conservação eficaz dos morcegos e para a proteção da biodiversidade a nível global.









