Lula usa queda do desmatamento na Amazónia para confrontar tarifas dos EUA

Durante um evento na sede da Organização do Tratado de Cooperação Amazónica (OTCA), esta quinta-feira em Brasília, Lula destacou números preliminares que apontam para uma redução de 37,5% nos alertas de desmatamento na Amazónia e de 8,2% no Cerrado.

Green Savers com Lusa

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, acusou os Estados Unidos de mentirem ao usar o desmatamento como justificação para impor novas tarifas sobre produtos brasileiros e prometeu contestar as acusações com dados oficiais.

Durante um evento na sede da Organização do Tratado de Cooperação Amazónica (OTCA), esta quinta-feira em Brasília, Lula destacou números preliminares que apontam para uma redução de 37,5% nos alertas de desmatamento na Amazónia e de 8,2% no Cerrado.

Os dados divulgados pelo Governo brasileiro comparam os períodos de agosto a maio encerrados em 2025 e 2026 e são provenientes do sistema Deter utilizado para monitorização em tempo real e apoio às ações de fiscalização.

Apenas em maio os alertas caíram 61,4% na Amazónia e 12,2% no Cerrado face ao mesmo mês do ano anterior, segundo os números oficiais.

Lula afirmou que os números serão encaminhados ao representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, que propôs na semana passada o aumento das tarifas aos produtos brasileiros.

O objetivo é rebater os argumentos apresentados pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR na sigla em inglês) que, entre outros pontos, alega que o Brasil falhou na aplicação eficaz do marco legal para combater o desmatamento ilegal.

“Nós vamos ter que pegar esses dados, mandar para o cidadão do comércio dos Estados Unidos que coloca a questão do desmatamento como justificativa para punir o Brasil com uma taxa maior”, declarou.

O Presidente brasileiro afirmou que o Governo dos EUA já havia apresentado alegações falsas ao justificar medidas tarifárias anteriores contra o Brasil.

“Eles mentiram a primeira vez que taxaram o Brasil em 50% dizendo que tinha ‘deficit’ comercial. Nós provámos que eles tiveram um ‘superavit’ muito alto em 15 anos e agora com esse negócio que eles falaram da questão do desmatamento”, afirmou.

Num discurso marcado por críticas à postura norte-americana, Lula disse querer comparar as políticas ambientais e laborais dos dois países.

“Quando a gente está negociando com alguém que não tem parâmetro para negociar, não se comporta de forma civilizada, a gente vai ter que fazer comparação”, declarou.

Num recado direto ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o chefe da Casa Branca “não foi eleito para ser imperador do mundo”.

“Não adianta falar para mim que tem os aviões mais rápidos do mundo, eu não quero guerra. A minha guerra é narrativa. A minha guerra é provar que nós estamos certos e vocês estão errados”, completou.

A proposta de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros ainda depende de uma decisão de Trump enquanto o Governo brasileiro procura negociar uma solução para evitar a adoção das medidas.

O Presidente brasileiro defendeu que o compromisso de alcançar desmatamento zero até 2030 resulta de uma decisão do seu Governo e não de imposições internacionais.

“Ele [Trump] não sabe o trabalho que nós fazemos para fazer com que o desmatamento chegue a desmatamento zero até 2030. Isso não é uma decisão de nenhuma COP, não é decisão da ONU, isso é uma decisão do nosso Governo”, disse.

Lula insistiu que o Brasil pretende manter uma relação baseada no diálogo e no desenvolvimento mútuo ao dizer que o país “não quer briga, (…) quer civilização, comércio e desenvolvimento para os dois países”.

Já o ministro do Meio Ambiente e das Mudanças Climáticas, João Paulo Capobianco, afirmou que os novos indicadores desmontam as acusações feitas pelos EUA sobre o desmatamento na Amazónia.

A divulgação dos dados, segundo disse, faz parte da rotina do Governo e não representa uma resposta específica a Washington embora as informações sejam usadas nas negociações bilaterais.

“Estamos apresentando de forma clara: o Brasil não está promovendo desmatamento e exportando madeira ilegal! Estivemos nos EUA, detalhámos os dados e mesmo assim veio essa injusta acusação contra nós”, afirmou o ministro.

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