Uma equipa internacional liderada pela University of the Sunshine Coast (UniSC), na Austrália, descobriu que componentes presentes no veneno de determinadas aranhas poderão dar origem a um novo tratamento contra o Varroa destructor, um ácaro parasita responsável pela destruição de colónias de abelhas em várias regiões do mundo.
O estudo identificou compostos existentes no veneno de duas espécies de aranhas que conseguem eliminar os ácaros sem causar danos às abelhas.
De acordo com o investigador principal, o professor associado Volker Herzig, esta descoberta representa um primeiro passo para o desenvolvimento de uma solução ambientalmente sustentável contra uma das maiores ameaças à apicultura mundial.
“Analisámos 50 venenos, sobretudo de aranhas e escorpiões, aplicando-os diretamente nos ácaros. Verificámos que mais de 75% provocavam a sua morte em menos de 24 horas”, explica o investigador.
Após essa fase inicial, os cientistas selecionaram os dois venenos mais eficazes e isolaram um componente específico de cada um, conhecido como péptido. Os compostos, designados Ht1a e Gg1a, revelaram-se letais para os ácaros, mas inofensivos para as abelhas.
Segundo os autores, estes péptidos são totalmente biodegradáveis e poderão vir a ser utilizados no desenvolvimento de tratamentos comerciais para combater infestações em colmeias.
Resistência crescente aos pesticidas
A necessidade de novas soluções tem-se tornado cada vez mais urgente devido ao aumento da resistência dos ácaros aos pesticidas químicos atualmente utilizados. Esta situação tem contribuído para perdas significativas de colónias de abelhas na Austrália e em grande parte do hemisfério norte.
A investigação contou com a participação de cientistas da UniSC, da University of Queensland, da University of Oslo, da Ghent University, na Bélgica, e do centro suíço de investigação apícola Agroscope.
Novos testes em ambiente real
O projeto recebeu recentemente um financiamento adicional de 50 mil dólares australianos através do programa Community Bee Innovation Fund, do Governo do Estado de Queensland.
Os próximos passos incluem testes dos dois péptidos em abelhas infestadas com o ácaro e a sua aplicação em colmeias afetadas, com o objetivo de avaliar a eficácia dos compostos em condições reais.
Os venenos utilizados no estudo provêm do banco biológico de venenos de aracnídeos de Volker Herzig, considerado o maior do mundo, com uma coleção de 640 venenos de aranhas e 230 de escorpiões.
A vice-reitora e presidente da UniSC, Helen Bartlett, destacou a relevância da investigação para a segurança alimentar global.
“Esta investigação de nível mundial está a enfrentar uma das ameaças mais urgentes à segurança alimentar. O projeto reflete o compromisso da UniSC com a sustentabilidade e com a proteção da agricultura na Austrália e em todo o mundo”, afirma.










