A Concreta 2026, feira da EXPONOR dedicada à construção, arquitetura, design e engenharia, vai abdicar da utilização de alcatifa nos espaços expositivos, numa medida que pretende reduzir o impacto ambiental do evento e incentivar uma reflexão mais ampla sobre a sustentabilidade no setor, foi divulgado em comunicado.
Segundo a mesma fonte, a decisão permitirá evitar a instalação e posterior descarte de mais de 10 mil metros quadrados de alcatifa num certame com apenas quatro dias de duração, constituindo um dos exemplos mais visíveis do compromisso da organização com a descarbonização e a economia circular.
Segundo o arquiteto Diogo Aguiar, curador da edição de 2026, a iniciativa procura questionar práticas expositivas que se mantiveram ao longo dos anos sem uma avaliação crítica dos seus impactos ambientais. “Não se trata apenas de um gesto simbólico. Trata-se de questionar convenções expositivas que foram sendo repetidas ao longo dos anos sem uma avaliação crítica dos seus impactos”, sublinha.
O responsável adianta ainda que este exercício deverá ser progressivamente alargado a outras áreas da organização do evento, incluindo estruturas temporárias, revestimentos, sinalética, logística e gestão de resíduos resultantes da montagem e desmontagem da feira.
Sustentabilidade em destaque no programa de conferências
As boas práticas ambientais estarão também em evidência no ciclo de conferências da feira, que decorrerá sob o tema “Construção Colaborativa para um Futuro Responsável”.
Entre 18 e 21 de novembro, arquitetos, engenheiros e designers terão a oportunidade de apresentar projetos inovadores na iniciativa “Na Primeira Pessoa”, através de palestras de 20 minutos dedicadas à partilha de experiências e soluções aplicadas ao setor.
As candidaturas decorrem até 16 de julho e serão avaliadas com base em critérios como o processo colaborativo, a sustentabilidade, a inovação, o desempenho técnico integrado e a gestão eficiente de recursos. As propostas selecionadas serão divulgadas a 30 de setembro.
Construção colaborativa como resposta aos desafios atuais
A edição de 2026 pretende destacar o conceito de construção colaborativa enquanto modelo capaz de responder a desafios como a crise habitacional, a necessidade de otimização de recursos e a promoção de soluções urbanas mais eficientes e sustentáveis.
Para Diogo Aguiar, não será possível construir um futuro responsável sem uma maior articulação entre os diferentes agentes do setor. “A construção colaborativa é uma condição essencial para descarbonizar o ambiente construído. Arquitetura, engenharia, indústria, construção, promoção, investigação e entidades públicas não podem continuar a trabalhar como territórios excessivamente separados.”
O curador defende ainda que a redução da pegada carbónica exige uma análise abrangente de todo o ciclo de vida dos edifícios, desde a extração dos materiais até à sua reutilização, incluindo transporte, construção, utilização e manutenção.
Fotografia, inovação e design em destaque
Além das conferências, a Concreta 2026 contará com uma exposição coletiva de fotografia de arquitetura assinada por Cláudio Parada Nunes, Eduardo Montenegro, Gonçalo Pacheco e Laura Deus, autores que darão também vida, em formato ao vivo, ao podcast Grande Angular, dedicado à arquitetura e fotografia.
Outro dos destaques será uma instalação conceptual dedicada à +Concreta – Tendências para Arquitetura e Interiores, concebida para evidenciar marcas, produtos e fabricantes portugueses que se distinguem pela inovação, circularidade, qualidade construtiva e responsabilidade ambiental.
Evento decorre em simultâneo com a Eletrica
A Concreta 2026 realiza-se em simultâneo com a Eletrica, feira especializada nos setores elétrico, eletrónico, energético e da mobilidade, reforçando a complementaridade entre áreas cada vez mais relevantes para a transformação sustentável da indústria e do ambiente construído.









