Mudanças ambientais antigas desencadearam “explosões evolutivas” nos pássaros

No campo dos estudos da evolução, um pressuposto central é que a evolução dos organismos dá-se através de uma série de impulsos sucessivos, intervalados por períodos de desaceleração do processo evolutivo. Os cientistas já tinham conseguido vislumbrar esses avanços repentinos no registo fóssil, e agora conseguiram identificá-los no grupo dos pássaros, através de dados obtidos de medições ao esqueleto de espécies que existem hoje.

Redação

As aves no grupo dos Passeriformes evoluíram em “rápidas explosões evolutivas” que coincidiram frequentemente com mudanças no clima ao longo da história da Terra.

Esta é a principal conclusão de uma investigação liderada pela Universidade do Michigan (Estados Unidos da América), publicada recentemente na revista ‘Nature Ecology & Evolution’.

No campo dos estudos da evolução, um pressuposto central é que a evolução dos organismos dá-se através de uma série de impulsos sucessivos, intervalados por períodos de desaceleração do processo evolutivo. Os cientistas já tinham conseguido vislumbrar esses avanços repentinos no registo fóssil, e agora conseguiram identificá-los no grupo dos pássaros, através de dados obtidos de medições ao esqueleto de espécies que existem hoje.

“Isto é realmente importante para a teoria da evolução”, assegura Jacob Berv, primeiro autor do estudo, pois há um século que se acredita que o surgimento de novos grupos de organismos “está frequentemente associado a uma explosão de diversificação”.

“A teoria da evolução prevê que radiações adaptativas podem representar uma grande porção da diversidade de vida na Terra”, acrescenta.

Essa diversificação e consequente aparecimento de novos grupos de organismos pode acontecer porque surgiram novos espaços e novos recursos disponíveis ou porque um grupo dispersou para um novo continente, por exemplo, onde teve de se adaptar às condições locais, “resultando em acelerações dramáticas do ritmo da sua evolução”, explica o investigador.

Teoricamente, com o passar do tempo e com o surgimento de novos grupos de organismos que ocupam os “espaços” vagos na teia ecológica, as oportunidades para saltos evolutivos vão diminuindo, o que faz abrandar a diversificação, mas mais tarde podem voltar a surgir, e de novo há “explosões”, numa sequência de avanços e pausas.

“Isso é que o que a teoria prevê e parece ser o que vemos também nos dados”, aponta Berv.

Para chegarem a essa conclusão, a equipa examinou os esqueletos de mais de duas mil espécies de pássaros, recolhendo mais de 170 medições, com o que conseguiram reconstruir a história evolutiva dos Passeriformes ao longo dos últimos 50 milhões de anos. Para isso, usaram uma ferramenta de inteligência artificial de nome “Skelevision”, que usa uma câmara para fotografar os esqueletos das aves e fazer medições.

Com esses dados, foi desenvolvido um método estatístico que não só permite examinar todo o esqueleto de um espécime de uma só vez, mas também estimar a evolução das formas corporais ao longo da história dos Passeriformes.

“Este padrão que encontrámos, de aumentos raros e significativos e de muitas pequenas reduções nas taxas de evolução, é realmente consistente com um padrão em que as linhagens estão a explorar novos espaços ecológicos e a mudar rapidamente para tirar partido dessa oportunidade”, salienta Brian Weeks, também a Universidade do Michigan e principal coautor do artigo.

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