A nova Era do transporte de pessoas: de deslocações a experiências
Por João Carrilho, Diretor de Marketing da Volkswagen Veículos Comerciais
Durante décadas, transportar pessoas era, essencialmente, uma questão de eficiência: garantir que um determinado número de passageiros chegava de A a B em segurança e com algum conforto. Mas essa definição tornou-se insuficiente. Hoje, falar de transporte de pessoas é falar de experiências, de identidade, de ligação emocional e até de sustentabilidade.
Vivemos uma transformação profunda na forma como as pessoas se movem — e naquilo que esperam dessas deslocações. Não se trata apenas de tecnologia ou novos formatos de mobilidade, mas de uma alteração mais ampla nas prioridades da sociedade, no papel que os veículos desempenham no quotidiano e na forma como as marcas devem pensar o seu propósito.
Se o século XX foi o tempo do automóvel como símbolo de independência, o século XXI será o tempo da mobilidade como extensão da experiência humana. Cada vez mais, o transporte de pessoas está associado a momentos partilhados, a conforto personalizado e a soluções adaptadas a estilos de vida em mutação: famílias alargadas, turismo de natureza, trabalho em movimento, transportes inclusivos.
Em vez de veículos pensados para o trânsito urbano, ou a estrada aberta de forma genérica, vemos agora o crescimento de modelos desenhados para contextos concretos e para experiências específicas. O design é mais modular, os interiores mais versáteis, e a conectividade deixou de ser um extra para passar a ser um pilar fundamental. Transportar é, hoje, também entreter, comunicar e facilitar o bem-estar a bordo.
Durante algum tempo, os veículos comerciais de transporte de passageiros foram vistos como meramente utilitários. Hoje, assistimos ao renascimento deste segmento, impulsionado por novas exigências do turismo, da mobilidade partilhada e até das famílias modernas, que procuram espaço, conforto e funcionalidade num só veículo.
A realidade é que o transporte de pessoas está a tornar-se mais emocional e mais consciente. Há uma valorização crescente da experiência coletiva, da relação entre conforto e eficiência, da importância da estética — mesmo em veículos pensados para o transporte em grupo.
Além disso, a sustentabilidade deixou de ser uma opção: é um critério de escolha. As motorizações elétricas e híbridas, a eficiência energética, os materiais recicláveis e os interiores de baixa pegada ambiental já influenciam diretamente as decisões de compra — tanto por parte de clientes individuais como de operadores profissionais.
Neste novo cenário, as marcas automóveis não podem continuar a comunicar como se estivessem a vender apenas veículos. O que está em causa é a capacidade de compreender — e antecipar — como as pessoas querem viver os seus trajetos.
Seja no setor do turismo, no transporte urbano, no apoio a empresas de logística humana, ou em soluções para clientes particulares com perfis mais versáteis, há um novo espaço a ocupar: o da mobilidade pensada com alma e propósito. E esse espaço exige mais do que motores e tecnologia. Exige visão de marca, design centrado nas pessoas e — acima de tudo — a capacidade de transformar deslocações habituais em experiências com significado.
Estamos numa encruzilhada interessante: por um lado, a digitalização e a automação estão a reconfigurar a forma como interagimos com os veículos; por outro, nunca foi tão importante que esses veículos nos façam sentir algo — pertença, segurança, liberdade.
Não basta transportar. É preciso criar memórias. O transporte de pessoas está a deixar de ser um simples serviço logístico. Está a tornar-se uma plataforma de vivências. E isso muda tudo.
