Os esforços globais de conservação das últimas décadas têm conseguido abrandar a perda de biodiversidade e evitar extinções, segundo uma revisão científica publicada pela The Royal Society.
O estudo, que envolveu investigadores australianos e internacionais, procurou responder a três questões centrais: se a conservação tem reduzido as taxas globais de extinção, se tem permitido recuperar populações anteriormente em declínio e qual o progresso na proteção de áreas naturais a nível mundial.
Apesar de reconhecerem que o estado atual da biodiversidade é “grave”, os autores defendem que há um desfasamento entre narrativas que anunciam uma catástrofe planetária iminente — frequentemente descrita como a “sexta extinção” — e as evidências científicas documentadas sobre sucessos e falhas concretas das políticas de conservação.
Extinções evitadas e populações recuperadas
De acordo com a análise, existem provas de que medidas de conservação impediram a extinção de várias espécies e contribuíram para a recuperação de algumas populações outrora em declínio.
Além disso, a área global de territórios protegidos — tanto em terra como no oceano — tem aumentado de forma consistente. Em muitos casos, essas áreas têm sido designadas em locais considerados estratégicos para reduzir o risco de extinção e favorecer a recuperação de espécies ameaçadas.
Falta medir melhor o que resulta
Os investigadores sublinham, no entanto, que persistem lacunas significativas no conhecimento sobre a dimensão real da perda de biodiversidade. Defendem que o sucesso futuro dependerá da definição de métricas claras e transparentes que permitam avaliar, de forma rigorosa, o que funciona e o que não funciona em matéria de conservação.
Mais do que adotar discursos alarmistas, argumentam, será essencial reforçar a monitorização, melhorar os critérios de seleção de áreas protegidas e investir em políticas baseadas em evidência científica sólida.
A conclusão é cautelosamente otimista: embora a crise da biodiversidade seja real e preocupante, os dados disponíveis mostram que a conservação pode produzir resultados concretos — e que esses resultados tendem a ser mais eficazes quando acompanhados por avaliação sistemática e objetivos bem definidos.









