“Juncker dá presente de Natal antecipado à indústria automóvel”, alerta Quercus

“Um presente de Natal antecipado à indústria automóvel que compromete redução de emissões de CO2 do transporte rodoviário”: é assim que a associação ambientalista Quercus define a tomada de posição ontem tomada pela Comissão Europeia. Em causa está uma proposta legislativa relativa às metas de emissão de CO2 no período pós-2020 para veículos ligeiros de passageiros e comerciais.

Para a Quercus, membro da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E), apesar de ser positivo o objectivo de alcançar 30% de viaturas não poluentes nas novas vendas, o facto de não estarem previstas penalizações para quem falhar esta meta torna a medida muito pouco efectiva.

Segundo reportado pela T&E, informa a Quercus, o “enfraquecimento da proposta da Comissão terá derivado de “contactos de última hora entre o gabinete de Jean-Claude Juncker e Mathias Wissman, presidente da associação automóvel alemã, a VDA,” ironicamente o mesmo país que está a acolher a 23ª Cimeira do Clima das Nações Unidas.

Para os ambientalistas, a proposta agora conhecida “falha também na resposta à necessidade urgente de reduzir as emissões de CO2 dos transportes, principalmente depois do aumento de 2,1% verificado no ano passado, enquanto as emissões dos outros sectores estão a decrescer”.

O projecto de lei da autoria da Comissão Europeia propõe também uma redução de apenas 30% nas emissões de CO2 de novos veículos ligeiros, entre 2021 e 2030, com uma meta intermédia de 15% para 2025. Estas metas abrangem menos de um terço da redução de emissões do transporte rodoviário que precisam de ser feitas até 2030.

Defendendo uma lei mais restritiva, a Quercus alerta que para cumprir a necessária redução, os Estados-membros serão obrigados a aplicar medidas mais difíceis nos seus países, como por exemplo as restrições ao tráfego automóvel, proibição dos veículos a combustão ou o aumento drástico dos impostos sobre os combustíveis fósseis.

A proposta segue agora para apreciação por parte do Conselho e Parlamento Europeu, que deverão sugerir alterações antes do documento final, sendo que o Parlamento Europeu já tinha apoiado previamente uma meta de redução intermédia de 18-28% em 2025.

Foto: Transport & Environment

 

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