Moçambique procura combinar desenvolvimento e adaptação às alterações climáticas

A Diretora Nacional de Mudanças Climáticas de Moçambique, Jadwiga Massinga, defendeu hoje, em Maputo, que o desenvolvimento económico do país deve levar em conta a urgência no combate às alterações climáticas, equilibrando as duas prioridades.
“O nosso objetivo é desenvolver o país, melhorar a qualidade de vida de todos os moçambicanos, mas, ao mesmo tempo, preocupar-se com as questões de mudanças climáticas”, disse Jadwiga Massinga, ao discursar durante o lançamento do processo de elaboração da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC 3.0).
A dirigente referiu que a contribuição para combate às alterações climáticas deve vir de todos os setores da sociedade: “Temos que pensar como fazer a nossa agricultura, como fazer a nossa indústria, como assegurar transporte e acesso à energia, ao mesmo tempo, reduzindo as nossas emissões, poluir menos, mas, ao mesmo tempo, ter boa qualidade de vida”.
“Como para nós a prioridade é adaptação, também estamos a pensar o que nós, como país, temos que fazer melhor para assegurarmos que não haja fome no país, que todos nós tenhamos acesso à comida, segurança alimentar, que as nossas cidades não sofram com efeitos de mudanças climáticas”, acrescentou Massinga.
Uma das ações que defendeu como prioritária para o país passa por “assegurar que as florestas sejam usadas da melhor forma para serem fontes de rendimento ligadas ao financiamento climático”, por exemplo, como um meio de redução das emissões, de captura das emissões de gases e efeitos tóxicos.
“Temos exemplos de um projeto que foi implementado na província da Zambézia [centro de Moçambique], onde claramente se mostrou que houve redução de desmatamento e degradação e automaticamente também reduzimos as emissões. Esse projeto foi de redução de degradação e de reflorestamento à volta do Parque Nacional de Gilé”, recordou.
Em 2021, Moçambique recebeu, através do Mecanismo de Parceria para o Carbono Florestal (FCPF) do Banco Mundial, 6,4 milhões de dólares (5,5 milhões de euros) como parte de um projeto de reflorestamento, especificamente em reconhecimento pela redução de emissões provenientes do desmatamento e degradação florestal na Zambézia.
O NDC (Nationally Determined Contribution, na sigla em inglês) refere-se aos compromissos climáticos que cada país assume sob o Acordo de Paris e são planos de ação climática que estabelecem metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e adaptar-se aos impactos das alterações climáticas.
Moçambique elaborou a sua primeira NDC em 2018, atualizou-a em 2020 para o período até 2025, estando agora a elaborar a terceira NDC para o período 2026 – 2035, para a submissão às Nações Unidas.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, mas também períodos prolongados de seca severa.
Só entre dezembro e março, o país já foi atingido por três ciclones, que, além da destruição de milhares de casas e infraestruturas, provocaram cerca de 175 mortos, no norte e centro do país.
Os eventos extremos provocaram pelo menos 1.016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afetando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.