Pressão humana tornou estes ursos menos agressivos e mais pequenos



Os ursos de uma pequena e isolada população que vive perto de aldeias no centro de Itália tornaram-se, ao longo dos anos, mais pequenos e menos agressivos.

Esta é a conclusão de um artigo publicado este mês de dezembro na revista ‘Molecular Biology and Evolution’, que tem como protagonista uma subespécie de urso-pardo, a Ursus arctos marsicanus, que só se encontra nos Apeninos e que tem uma longa história de proximidade com as comunidades humanas que também aí vivem.

Os investigadores dizem que as alterações ambientais provocadas pelos humanos têm grandes impactos na vida selvagem, muitas vezes levando a declínios de populações de animais ou causando pressões que afetam a forma como determinada espécie evolui. Terá sido essa a história dos ursos nessa região italiana.

Estima-se que a subespécie ursina tenha divergido do urso-pardo europeu (Ursus arctos) há 2.000 ou 3.000 anos, estando totalmente isolada de outras populações de ursos há, pelo menos, 1.500 anos.

“Uma das maiores causas do declínio e do isolamento terá provavelmente sido a desflorestação associada com a expansão da agricultura e o aumento da densidade populacional no centro de Itália”, explica, em comunicado, Andrea Benazzo, investigador da Universidade de Ferrara e coautor do estudo.

Desde então, os ursos-pardos dos Apeninos parecem ter seguido um caminho evolutivo diferente. Atualmente, comparando com outras populações de ursos-pardos na Europa, na América do Norte e na Ásia, têm corpos mais pequenos, têm cabeças e traços faciais singulares e são menos agressivos.

Com base em análise genéticas, a equipa constatou que os ursos dos Apeninos têm características associadas a um nível reduzido de agressividade, que, especulam, pode estar relacionado com a remoção de ursos mais agressivos pelos humanos ao longo do tempo. Dessa forma, apenas os menos agressivos foram permanecendo, moldando a composição genética da atual população.

Para Giorgio Bertorelle, principal coautor do estudo e também investigador da Universidade de Ferrara, a implicações dos resultados deste estudo “são claras”. Ele argumenta que as interações entre humanos e animais selvagens podem muitas vezes pôr em risco a sobrevivência de uma espécie, mas, salienta, “podem também favorecer a evolução de traços que reduzem o conflito”.

“Isto significa que mesmo populações que tenham sido forte e negativamente afetadas por atividades humanas podem conter variantes genéticas que não devem ser diluídas, por exemplo, pelo repovoamento”, sublinha.






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