Portugal não conseguiu atingir os objectivos estabelecidos no Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos (PERSU2020) e que passavam por uma redução 7,6% da produção de resíduos em peso. Comparando com os valores de 2012, Portugal vê o seu desempenho ambiental a piorar. Consequência? Um gasto acrescido de 10 milhões de euros/ano e um acréscimo de emissões de CO2 a nível nacional.

Publicado no final de 2017 pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o Relatório do Estado do Ambiente 2017 (REA) dá conta que a meta de redução de 7,6% da produção de resíduos em peso face aos valores de 2012 para Dezembro de 2016 ficou muito aquém do esperado. Tendo em conta os compromissos assumidos no âmbito do PERSU2020, em 2016 Portugal conseguiu apenas redução de 0,98% em relação aos valores de 2012 (4,78 milhões de toneladas).

Qual o impacto desta realidade? Em comunicado, a associação ambiental Quercus explica que ao falhar os objectivos traçados, Portugal terá mais 350 mil toneladas/ano de resíduos urbanos a necessitarem de tratamento, equivalentes a 7,24% de défice em relação à meta prevista. A estes valores juntam-se as 25.000 viagens de camião adicionais para o transporte de resíduos urbanos da recolha até destino final; um acréscimo de emissões de 13 toneladas de CO2 /ano, decorrentes das viagens realizadas para suportar este encaminhamento e ainda um custo aos sistemas de quase 10 milhões de euros por ano para tratar este excedente distribuído entre meios humanos afectos, equipamentos, infra-estruturas e custos de tratamento do sistema.

O REA 2017 revela ainda outro dado importante: a produção de resíduos urbanos em Portugal continental, atingiu em 2016 os 4,64 milhões de toneladas, correspondendo a uma produção média diária de 1,29 kg por habitante. Isto significa que, cada habitante português produziu em média 472 kg de resíduos sólidos urbanos por ano e que desde 2014 que ao invés de se reduzir a produção de resíduos, se tem aumentado a capitação anualmente.

“A falha na perseguição destes objectivos tem por isso duas consequências directas: um mau desempenho ambiental e o desperdício de dinheiro público”, alertam os responsáveis da Quercus.

Como resolver então esta questão? Para esta associação ambientalista, a solução passa por incrementar os serviços de recolha selectiva porta-a-porta, por uma aposta a nível nacional do sistema PAYT (pay as you trow) e pela aplicação de taxas a produtos embalados e descartáveis, tal como já acontece com os sacos de plástico.

Em 2016 foram reciclados apenas 62% dos resíduos de embalagem.