Em entrevista à Green Savers, Eduarda Ferreira, Diretora na Be Water S.A. – Águas de Ourém, dá a conhecer o novo modelo de faturação da Be Water, que informa os clientes acerca dos custos associados à fatura da água, esclarecendo para onde vai a totalidade do dinheiro. Antes de chegar à nossa torneira, a água passa por várias etapas de produção, tratamento, armazenamento e transporte, que garantem que esta chega a nossa casa com toda a segurança. Existe muito trabalho que ainda é pouco visível ao cidadão comum, nomeadamente no investimento permanente na rede de abastecimento, algo que a nova fatura pretende desmistificar.
A água é um bem essencial à vida, mas é um recurso finito: devemos por isso preservá-la.
- A água que chega às nossas casas tem um grande trabalho por trás, que não é visível ao cidadão comum. Quais são as etapas pelas quais passa antes de chegar à torneira?
Como utilizadores, é-nos difícil percecionar o que um gesto tão simples como o abrir de uma torneira ou o de acionar o autoclismo são antecipados por complexos processos de produção, tratamento, armazenamento e transporte, desde a origem até esses dispositivos.
A água que chega às nossas casas começa por ser captada em meio hídrico, seja à superfície, em rios e albufeiras, ou no subsolo, através de furos ou poços.
De seguida, a água captada é transportada para as Estações de Tratamento de Água (ETA), onde se desenvolvem os processos de adequação ao consumo humano, nomeadamente a verificação e correção das suas características físicas, químicas e bacteriológicas.
Fazem parte destes processos várias etapas, começando pela remoção de impurezas, o arejamento, a coagulação, floculação e decantação, correção do pH e desinfeção.
O processo de coagulação e floculação faz-se através da adição de um reagente na água, que aglutina as partículas em suspensão, formando flocos sedimentáveis que se depositam no fundo dos tanques, permitindo a decantação.
A desinfeção constitui a última etapa do processo de tratamento e é crucial para a proteção das populações contra doenças de origem hídrica, recorrendo-se a produtos à base de cloro (mais habitual), ozono ou radiação ultravioleta para a eliminação de micro-organismos prejudiciais à saúde humano.
Após este processo, a água é novamente transportada para as zonas de consumo, ficando armazenada em reservatórios que, conforme o nome indica, asseguram a reserva e continuidade do abastecimento.
Se necessário, por diferenças de altitude nos percursos de encaminhamento da água até aos reservatórios, recorre-se à sua elevação, através de processos de bombagem implementados em estações elevatórias (EE).
Finalmente, em cada zona de consumo é feita a distribuição da água até às torneiras dos utilizadores, através de uma rede complexa de infraestruturas e redes que visam garantir que a água é distribuída em quantidade e com a pressão e qualidade adequadas para o consumo humano, recorrendo-se, sempre que necessário, a equipamentos reguladores de pressão (VRP e hidropressores).
O controlo da qualidade da água para consumo humano é feito através de um conjunto rigoroso de análises a diversos parâmetros e complementado pela verificação da qualidade em diversos pontos, desde a origem aos pontos de entrega e ainda nas torneiras dos utilizadores.
- No que é que consiste o novo modelo de faturação da Be Water?
O novo modelo da faturação da Be Water assume uma importância relevante no sistema comercial e na respetiva apresentação, uma vez que a obrigatoriedade legal (Decreto-Lei nº 28/2019, de 15 de fevereiro e Portaria nº 195 de 13 de agosto de 2020) de inclusão do código QR e do código único do documento (ATCUD), exigia uma reorganização do espaço da informação que poderia comprometer a sua leitura ou a sua perceção pelos utilizadores.
Assim, optou-se por um modelo a cores, graficamente mais atraente e com segregação de conceitos de serviços e entidades, para melhor compreensão.
Por outro lado, inclui o acerto de saldos, aumentando a comodidade dos utilizadores e evitando a deslocação ao balcão de atendimento, permitindo assim:
- A possibilidade de, no mesmo momento, poder liquidar a fatura do mês e regularizar a anterior, com a emissão de referências SIBS distintas;
- A possibilidade de descontar créditos, no valor a pagar dos documentos seguintes.
- Como explica o novo modelo, quando os consumidores pagam a fatura da água, não estão a pagar apenas a água que consomem. O que é que abrange esta quantia?
A receita associada à água que consomem, contempla os custos de toda a gestão dos seus serviços e corresponde a menos de 50% da fatura.
Por exemplo, para um consumo doméstico de 10 m3, o peso restante tem a seguinte distribuição:
· Água – Receita da Be Water -> 40,4%
· Água – receita da EPAL -> 12,3%
· Saneamento -> receita da Tejo Ambiente -> 28,3%
· Resíduos Sólidos Urbanos – Receita Tejo Ambiente -> 13,8%
· Taxas e Impostos – Receita Estado -> 5,2%
Como facto de interesse, o custo médio de água no consumo doméstico corresponde a 1 café por dia.
- Quais são os benefícios deste novo serviço para o consumidor? E para as empresas ligadas ao setor de água?
A inclusão do QR Code e do código único do documento (ATCUD), além de requisitos legais permitem a emissão e leitura de documentos em formato eletrónico, passando dos habituais formatos digitalizados, vulgo PDF para documentos classificáveis, passiveis de leitura ótica e digital e direcionáveis para sistemas contabilísticos e para a AT (Autoridade Tributária). Esta inovação vem simplificar a faturação e as suas diversas interligações com entidades privadas e públicas, aumentando a eficiência e diminuindo a probabilidade de erro.
A estratificação de conceitos faturados, bem como a informação relativa ao destino das receitas associadas vem, também, informar e clarificar o que se fatura e a quem se destina, permitindo ao utilizador o conhecimento dos serviços que contrata e que utiliza, da sua origem e das entidades envolvidas. Para estas, é também importante a sua identificação no processo, a par da entidade gestora.
O acerto de saldos flexibiliza a relação comercial com os utilizadores, aumentando a sua comodidade e evitando a deslocação ao balcão de atendimento, permitindo assim:
- A possibilidade de, no mesmo momento, poder liquidar a fatura do mês e regularizar a anterior, com a emissão de referências SIBS distintas;
- A possibilidade de descontar créditos, no valor a pagar dos documentos seguintes.
- A água é essencial à vida. O que podemos fazer, enquanto cidadãos, para preservar este recurso natural?
Além do combate ao desperdício, no quotidiano dos cidadãos, através de pequenos gestos que contribuem para a preservação da água, como fechar a torneira enquanto se escova os dentes, tomar banhos rápidos, regular as válvulas de descarga, usar baldes em vez de mangueiras para limpezas, entre outras, é vital a manutenção e vigilância da rede predial e equipamentos.
É, ainda, importante a sensibilização contínua, junto dos mais novos e dos mais resistentes, para beber a água da torneira. Além de comprovadamente segura e de excelente qualidade, contribui significativamente para a diminuição da pegada de carbono. É sabido que esta é drasticamente aumentada pelo uso de água engarrafada, principalmente em embalagem plástica.
De salientar que 1m3 de água corresponde a 1.000 litros, ou seja, o equivalente a 200 garrafões de água de 5 litros.
Por último, é imprescindível a redução ou regulamentação mais apertada ao recurso a fontes próprias de abastecimento, uma vez que estas contribuem para a depleção acelerada dos recursos hídricos existentes, sem qualquer controlo pelas autoridades de direito.
Exemplo de faturação do mês de junho, da Águas de Ourém:











