O parasitismo é tipicamente definido como um relacionamento contínuo em que um organismo, o parasita, aumenta seu próprio sucesso ao explorar outro organismo conhecido como hospedeiro. Uma equipa de cientistas da China, da Suécia e da Austrália divulgaram na revista científica Nature Communications esta longínqua interacção e sugerem que se trata da mais antiga prova de parasitismo, em que indivíduos de uma espécie vivem dentro de outro e tiram-lhe alimento.
Assim, estima-se que há 512 milhões de anos, onde é hoje a actual província de Yunnan (na China), existiam pequenos organismos marinhos com conchas e tubos. Dentro desses tubos, estariam parasitas que roubavam comida a esses animais marinhos. Foram examinados fósseis primorosamente preservados pertencentes a organismos chamados braquiópodes ( Neobolus wulongqingensis ). Estes braquiópodes tinham entre cinco e dez milímetros de comprimento e viviam no fundo do mar. São invertebrados marinhos que se assemelham a amêijoas.
Ao analisarem braquiópodes Neobolus wulongqingensis com tubos incrustados nas cochas e outros sem esses alongamentos, a equipa de cientistas notou que os braquiópodes com tubos tinham um tamanho mais reduzido em comparação com os que não tinham. Isto é, os organismos que viviam nos tubos seriam parasitas que provocaram uma diminuição na biomassa dos seus hospedeiros.
Estes parasitas fósseis recém-descobertos coincide com o que é conhecido como Explosão Cambriana. Foi uma época de rápidas mudanças evolutivas e inclui a primeira aparição de animais com olhos, órgãos e membros. Essas mudanças tiveram um efeito marcante na forma como os organismos interagem entre si. Por exemplo, acredita-se que a predação ativa tenha começado durante esse período. A descoberta indica ainda que o parasitismo é talvez outra interação biológica importante que surgiu durante o período Câmbrico.









