A compressão das placas tectónicas Eurasiática e Africana está a fazer com que a Península Ibérica gire no sentido dos ponteiros do relógio, revela nova investigação geológica.
Num artigo publicado na revista ‘Gondwana Research’, um grupo de cientistas analisa como a crusta terrestre está a ser comprimida e deformada na zona onde essas duas placas de encontram, na região ocidental do Mar Mediterrâneo.
“Todos os anos, as placas Eurasiática e Africana aproximam-se 4-6 milímetros uma da outra”, explica, em comunicado, Asier Madarieta, da Universidade do País Basco e primeiro autor do estudo. Com base em dados recolhidos por satélite sobre deformações e dados sobre terramotos que ocorreram nos últimos anos, a equipa liderada por Madarieta descortinou processos geodinâmicos e tectónicos que sugerem que a Península Ibérica está a rodar para Oeste, em sentido horário, tendo como um dos principais eixos de contacto o Estreito de Gibraltar.
Embora os efeitos da colisão entre as placas Africana e Eurasiática esteja a ser absorvido a leste do Estreito, no lado ocidental o choque estão a alterar a posição da península.
Alterações nas dinâmicas geológicas ocorrem muito lentamente, pelo que dados de satélite e de terramotos mostram apenas o que Madarieta descreve como “uma pequena janela para a evolução geológica”.
“A maioria dos dados precisos sobre terramotos remontam apenas a 1980 e dados precisos de satélite a 1999, ao passo que alterações geodinâmicas são medidas em milhões de anos”, diz, salientando a importância de conjugar dados de várias fontes para se conseguir, o melhor possível, ter uma imagem mais clara do que aconteceu, do que está a acontecer e do que pode vir a acontecer.









