Este grupo de bactérias é capaz de eliminar compostos do plástico. Descoberta pode reforçar combate global à poluição

O estudo, publicado na revista científica Frontiers, descreve um “consórcio” composto por três espécies bacterianas que, em conjunto, conseguem decompor ésteres de ácido ftálico (PAEs), substâncias amplamente utilizadas em materiais de construção, embalagens alimentares e produtos de higiene pessoal.

Redação

Uma equipa de investigadores alemães identificou um grupo de bactérias que atua de forma cooperativa para degradar plastificantes presentes em diversos produtos do quotidiano, uma descoberta que poderá contribuir para mitigar o problema global da poluição por plásticos.

O estudo, publicado na revista científica Frontiers, descreve um “consórcio” composto por três espécies bacterianas que, em conjunto, conseguem decompor ésteres de ácido ftálico (PAEs), substâncias amplamente utilizadas em materiais de construção, embalagens alimentares e produtos de higiene pessoal.

Ao contrário da maioria dos microrganismos identificados até agora — que tendem a degradar apenas um tipo de plástico — estas bactérias funcionam em comunidade, recorrendo a um mecanismo conhecido como “alimentação cruzada”. Neste processo, os subprodutos gerados por uma bactéria durante a digestão servem de nutrientes para outra, permitindo uma ação coordenada e mais eficiente.

Segundo o investigador Christian Eberlein, do Helmholtz Centre for Environmental Research, esta cooperação é determinante: “Demonstramos a degradação de vários ésteres de ftalato através da atividade conjunta de diferentes estirpes bacterianas”.

Os cientistas identificaram no consórcio bactérias dos grupos Pseudomonas putida, Pseudomonas fluorescens e uma espécie ainda desconhecida do género Microbacterium. Isoladamente, nenhuma delas consegue degradar os compostos, o que confirma a importância da interação entre espécies.

Os testes laboratoriais mostraram ainda que este grupo bacteriano consegue decompor diferentes tipos de PAEs — incluindo ftalato de dietilo, dimetilo, dipropilo e dibutilo — o que aumenta o seu potencial para aplicações ambientais e biotecnológicas.

Os investigadores destacam também a descoberta de enzimas até agora desconhecidas, envolvidas no processo de degradação destes compostos, alguns dos quais estão associados a problemas hormonais, metabólicos e até a certos tipos de cancro.

Apesar dos resultados promissores, os cientistas alertam que ainda existem limitações. O consórcio não é capaz de degradar plásticos mais resistentes, como o polietileno ou o polipropileno, cujas ligações químicas são mais difíceis de quebrar.

O próximo passo passará por testar estas bactérias em águas residuais contendo microplásticos, avaliando a sua eficácia em condições reais. A eventual introdução destes microrganismos em ambientes contaminados — uma abordagem conhecida como bioaumentação — poderá vir a constituir uma ferramenta relevante na redução da poluição por plastificantes.

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