Ferramenta de IA melhora previsão de incêndios florestais

O modelo, que recorre a técnicas de  aprendizagem automática, analisa dados de estações meteorológicas para identificar padrões que antecedem a ignição de incêndios.

Redação

Uma equipa internacional liderada por investigadores da Universidade de Canterbury desenvolveu um sistema de previsão de incêndios florestais baseado em inteligência artificial que promete maior precisão e respostas mais rápidas face ao risco crescente de fogos.

O modelo, que recorre a técnicas de  aprendizagem automática, analisa dados de estações meteorológicas para identificar padrões que antecedem a ignição de incêndios. Segundo o estudo, a ferramenta consegue atualizar previsões a cada 30 minutos, em contraste com muitos sistemas atuais que são atualizados apenas uma vez por dia.

Os investigadores testaram o sistema com mais de 60 anos de dados históricos de clima e incêndios em várias regiões da Austrália, incluindo Sunshine Coast, Brisbane e Hobart. Os resultados mostram uma melhoria na precisão das previsões entre 10% e 30%, permitindo detetar mais incêndios com antecedência.

Além disso, o modelo demonstrou reduzir tanto os casos de incêndios não previstos como os falsos alarmes — um fator com impacto direto nos custos de resposta. De acordo com a análise económica realizada, esta abordagem poderá duplicar o valor das previsões, traduzindo-se em poupanças significativas para as autoridades.

O aumento da frequência e intensidade dos incêndios, associado a condições mais quentes e secas devido às alterações climáticas, tem colocado pressão sobre os sistemas de alerta existentes. Mudanças rápidas nas condições meteorológicas podem agravar o risco em poucas horas, tornando insuficientes os modelos tradicionais.

A nova ferramenta pretende colmatar essa lacuna, oferecendo informação quase em tempo real que poderá ajudar as autoridades a agir mais cedo, a gerir melhor os recursos e a reduzir os impactos ambientais e económicos dos grandes incêndios.

Outra vantagem apontada pelos investigadores é o facto de o sistema utilizar dados já disponíveis em redes de monitorização meteorológica, o que facilita a sua implementação sem necessidade de novos investimentos em infraestrutura. O modelo poderá também ser adaptado a outros países, como a Nova Zelândia, onde existem sistemas semelhantes.

Os autores defendem que soluções baseadas em dados e atualizações rápidas serão essenciais para enfrentar o aumento do risco de incêndios num contexto de alterações climáticas.

Partilhe este artigo


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.