Governo da Colômbia vai abater dezenas de hipopótamos descendentes do zoo de Pablo Escobar

O ministério do Ambiente colombiano diz ter sido ativado o que descreve como um “plano de emergência para travar a expansão e crescimento populacional dos hipopótamos” no país, que é o único fora de África que tem uma população selvagem desses paquidermes.

Redação

O governo da Colômbia aprovou um plano para eutanasiar até 80 hipopótamos que descendem dos animais da mesma espécie que o barão da droga Pablo Escobar levou para o país na década de 1980 para fazerem parte do seu zoo privativo.

Num comunicado publicado esta segunda-feira, o ministério do Ambiente colombiano diz ter sido ativado o que descreve como um “plano de emergência para travar a expansão e crescimento populacional dos hipopótamos” no país, que é o único fora de África que tem uma população selvagem desses paquidermes.

Essa população, que atualmente se estima acima dos 200 indivíduos, descende de apenas quatro hipopótamos que viviam na Hacieda Nápoles, uma herdade de Escobar, que foi confiscada pelas autoridades colombianas aquando da detenção de uma das figuras mais conhecidas do narcotráfico.

Desde então, os hipopótamos abandonaram a propriedade e foram já avistados a quase 100 quilómetros do local onde foram introduzidos por Escobar.

O governo colombiano tem tentado encontrar soluções para o que aponta como sendo uma ameaça à biodiversidade e à segurança das populações humanas. A captura e transferência dos hipopótamos para zoos noutros países foi uma abordagem que acabou por cair por terra, apesar das tentativas.

Diz Bogotá que “barreira legais, técnicas e orçamentais” revelaram a translocação como uma abordagem inviável, tendo negociações sido malsucedidas com vários países: Equador, Peru, Índia, Filipinas, México, República Dominicana e África do Sul. Assim, surge a eutanásia como solução restante.

“Para reduzir a população de hipopótamos há dois caminhos: a translocação e a eutanásia”, diz, citada em nota, Irene Veléz Torres, ministra do Ambiente colombiana.

“Esta última é uma medida técnica, que faz parte daquilo que a ciência nos recomenda quando a translocação não é possível”, explica a responsável, acrescentando, referindo-se à eutanásia, que “sem esta ação é impossível controlar o crescimento da espécie”.

A ação de abate faz parte de um plano mais vasto de gestão da população de hipopótamos na Colômbia, que conta com um investimento de cerca de 1,7 milhões de euros.

Os hipopótamos foram oficialmente declarados como espécie exótica invasora em 2022, uma decisão justificada pelos “impactos negativos que geram nos ecossistemas”, explica do ministério do Ambiente, “especialmente na qualidade da água e em espécies nativas”, como o manatim e a tartaruga Podocnemis lewyana.

Se o abate, dizem as autoridades oficiais, a populações de hipopótamos poderá chegar aos 500 indivíduos até 2030 e aos mil cinco anos depois, “aumentando significativamente os riscos ambientais e para as comunidades”.

Segundo as informações avançadas, a ação de abate deverá arrancar no segundo semestre deste ano.

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